Contario de inverno 4
A viagem de trem Zakopane dormia, o imaginário de menino a pintou de branco, uma única habitação amarela ao fundo, fumaça a suspirar pela chaminé. Ficou lá seu barco, talhado pela mãe, pintado de anil. Ficou lá o gato, Troska. Ficou um homem adormecido pela vodka, braço descaído sobre a mesa. A cidade se despediu da criança doada que faria cinco anos em julho. Foi o dia mais frio de sua vida. Um casal, de Pontevedra, o levou da casa lar pela mão, muito devagar, para que ele não se assustasse. Não houve necessidade de muitas acolhidas ou lágrimas. A senhora Anninka estava satisfeita, encontrara por acaso aqueles dois iluminados. Era difícil adotarem menino crescido, ainda mais mudo. Anninka sentiria falta, mas era melhor assim, quem sabe houvesse um futuro para ele. Alternavam, os novos tutores, sussurros que ele não compreendia, amorosidades que só se tornariam confortáveis meses depois. A mulher, de cabelos negros, parecia saída de capa de revi...