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Contario de inverno 18

como um objeto não identificado   O frei se levantou em meio à madrugada escura, um raio e outro a cortar o céu, sem trovoada. Bar’do o espiou pela fresta da porta, a passar voejador. Ainda no cumprimento da tarefa de segurar a folha sobre a escrivaninha, o trasno estava também a velar por Pan Wos, que acusou um pouco de febre, dormia agitado, não queria deixa-lo só. Já vira muito com o frei Ain, preferia a serenidade do moço polonês.     Valessa, recém chegado, lhe fez um sinal com a mão, que fosse atrás do velho, ele assumiria dali.  Bar’do, estarrecido com a presença – tanto que queria saber d’ele -, desceu da escrivaninha; sem jeito, teve a intenção de beijar os pés daquele homem. Foi acolhido por braços como se fora algodão, apoiado no joelho, que logo virou num cavalinho. Um afago em seu chapeuzinho fez Bar’ estremecer de um sentimento diferente, bom. Derretido em suas pequeninices, o ser das fadas voejou, escotilha afora, tomado de não sei que elixir...

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