Contario de inverno 13
Quando pensei que emprestava minhas mãos para que eles escrevessem E então, ironia é para quem a sabe sustentar, é machadiana. Há algum resquício de ética para um bardo. Dou-me conta de que falo sem ter posto, uma única vez, um autógrafo. Os livros de Esmeralda, todos tingidos, prefaciados com amor Jacinto, com amor Eunice, com amor Calêndula. Com amor Inácio de Narval, ninguém. Não, não há do que sentir pena. Fiquei eu, pendente no escapamento do jipe, que o trasno voejou com as andorinhas de asa negra. O que diremos de gentileza, de agradecimento? Diremos que o céu somos todos e as nuvens, bem, as nuvens são os outros. Inventos. Ventos adversos, sopram outras vozes. Beleza columbária. Cais, faróis, lençóis a mourejar nos varais. Calais. Rimas de quem verte quadras aos arames. O poeta descansa sob o visgo. Ah, quanto tempo mais? Sem Évora, sem Faro? Sem teus dentes? O que faço eu a mendigar nos Brasis? O que eles querem de nós? O que queremo...