Contario de inverno 24
olhos cor de jabuticaba Já a Primavera. Musica de golfinhos. A lua, minguante. O ciclo das estações, generoso e hábil, acompanhava o grande barco, a apagar últimos vestígios de inverno. A doce metáfora da vida terrestre. Nosso Oficial de Navegação conferia os aparelhos, fazia contato com a Guarda Costeira pelo radio, corrigia a rota e prestava contas à Comandante Julieta Aragon. No intimo, memórias insistentes chamavam, exigiam até, tomada de consciência, do próprio curso, da própria razão. Maja, diante do mar, do ocaso, reconstituiu, em um cálculo de latitude norte, o que lhe sobrou da casa amarela de Zakopane. O frio cortante, a lareira apagada, o homem irascível a bater a porta, a mãe azul a chorar, cheia de hematomas. O exato momento em que Aninka entrou, o tomou nos braços e o levou. Com seus olhos verdes, boreais, a senhora olhava aquele menininho e orava uma prece desconhecida, cujas palavras Maja bebeu, como contas de sal. Agora, diante do sextante, o ra...