Contario de inverno 17
Claude Monet Rey a quien. Para um magistrado de grande poder. E então, algo inusitado sacudiu o Ligaya1. Nosso Inácio, sentado no convés, bem perto do mastro da vante, tinha as pernas esticadas e uma porção de pedrinhas, as quais lhe serviam de barcos. Parecia que compusera uma batalha naval, ou era só um encontro amigável de cais, introspectivo. Movia uma pedra, que batia em outra, empurrava outra, todas mantidas ao alcance das mãos, jogo caótico, surdo e pessoal. Quem olhasse de longe, tinha diante de si um velho de seis meses, a arrumar suas coisinhas no cercado, sem mãe por perto para acudir; velho neném é desengonçado demais, fastidioso demais. Por enquanto, o frei não necessitava outra coisa que cantarolar, dar som peculiar a cada nau. Brincava, esquecido da vante, dos marinheiros atordoados pelo sono, da solidão, da saia vermelho sangue, até do perfume da mulher que ele abraçara, como quem estrangula. Depois do rompante que vivera na praia, diante de ...