Contario de inverno 14
Entre curar e sarar Olhar a psicose instalada, floribunda, emboletada na janela do quinto vagão do trem em movimento, deu a Narval a dimensão do que ele causava a si e ao entorno. Difícil experiência: enlouquecer e estar ciente do fenômeno. É preciso ser forte. O homem deixou o trem demorar-se, empastelou-se da visão. A culpa demoníaca há muito ia com ele, já se acostumara ao medo, virara uma espécie de sem-vergonhice. Tudo com que nos adaptamos passa a fazer parte do corpo, da luz e do sopro. Se nos embelezamos ou enfeamos, não importa. Os humanos, quão poucos os que compreendem e verdadeiramente estendem a mão compassiva a um irmão de estação. Entre curar e sarar, o frei, aparentemente, preferia perder-se. Assim é este mundo, mar de lágrimas. Que ficasse, trem desmiolado, sem fumaça, diante das pupilas dilatadas, o quanto quisesse, havia tempo. O religioso tinha as roupas molhadas, tinha-lhe escapado urina, estava lastimável. Que o louco ficasse, passion o d...