domingo, 4 de setembro de 2016

setembros

Seguem as rotações, translações
marés
e os peitos eloquentes
Das canções, das tragédias,
das comédias,
de enquanto as águas,
do amor,
sarça ardente!
Dos suspiros
Araguaia preguiça
o sopeso humano
as palavras tupi,
nomes das coisas
marcas brasileiras
de Oiapoque e Chui
sepulcros
e eles sabem que não para sempre
e nem para nunca
ivans, varienkas, pedros, ineses
sebastianinas odes
o calor escaldante do equador
a manha, algum esforço, só eu sei
a saudade enobrece, perde,
acha e torna a perder
a pequenez de mim canta de dor
rara e tão simples como um afago
canto sem cantar
advertência, vigília
os mitos e as bacantes
dançam em mim
no camarim improvisado
uma visão
algum sopro estranho
maresia
nem ilustre nem desalmada
nem ciúme ou ressentir
algo de timoneiro
mais aquele
que pousa sobre o mastaréu
nenhuma guerra, nenhuma Medeia
nenhuma medusa ou espelho
o brilho dos olhos nos olhos
numa noite de chuva
em setembro


cada um só pode ler 
com os olhos que tem

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