quinta-feira, 27 de julho de 2017

inocência em fins de julho






Inocência é onde está a Beleza. 
E onde está ela? 
Na herdade? 
Na festa de Santo Antonio? 
No abraço? Na negação dele? 
Inocência é onde está a Justiça. 
E onde vai ela? 
Naquele embalo? 
Peso? 
Zombaria?
Inocência é onde mora a Caridade. 
E onde a mão dela? 
Entre as iguarias mal distribuídas na rua? 
Inocência é onde se esconde o amor. 
E onde? 
Nas sandálias do Pescador? 
E qual, de que amor inocente esperamos regresso? 
Eu não sei, meu amigo, a inocência está no seu coração. E no meu.

domingo, 23 de julho de 2017

formosa rosa


                                                                             * do jardim da Thais

Formosa Rosa
brasileira
um cilindro âmbar
uma prece
um frio glacial
umbral
moradas
"jiboias na cabeça"
luz
um repente bachiano
o mais veloz
nascido
das Vinhas do Sado
Galafura
Alentejo
Málaga?
Formosa Rosa
Do jardim
Que eu escrevo

 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

ensaios


baú
patrimônio imemorial
oxidação
teus passos
meus passos
abstinência

arco e chifre
olhos plácidos
camisa alva
e pés no pasto
plateia de alabastro

ideias
Aldebarã
teu casaco marrom
as mãos
vilanias
entreposto

manifestação
madrugada
o silvo nítido
abri a porta
era por mim
que eu buscava




terça-feira, 11 de julho de 2017

verso de julho




Horas se passaram na brancura de um verso
Ele vergava lento, sob o peso da declinação
As palavras nele impressas eram luzeirinhos azuis
Cantantes atrevidas, desconexas, primaveris
E era inverno, recém chegado
Algo de contente, insulado,                                
Um levante, um beijo
E o verso moveu-se, absorto,
Sustendo elucidações mal transcritas

Desavisado dos grandes murais logo em frente

quinta-feira, 6 de julho de 2017

uma tarde noite


Lúmen, cadência consonante, um lago
A palavra cala, roída por tingir a calçada
Garatujas todavia, filigranas por nascer em passeio breve
O aeroporto aguarda contato, silêncio reverente
Indecisão no hangar, conexão em atraso, emoção confusa
Gotas de chuva pontuam a lente, câmera em punho
Resta esperar o voo que tarda, nutrir o encanto
Entre os apetrechos de anotar jaz uma flor, dessas que se empaginam
Junto dela um frasco pequenino, perfume encanecido, um gravador
Intenção primeira verter num cesto tanta memória
Nesgas de ideias, fotos amareladas, uma igrejinha, recortes de jornal
Horas de uma vida de repórter, de flagrantes, de perdas, senão danos
A palavra enlouquece, quer voar, flecha certeira, pequena morte, gérmen!!
Aguardam em sala vip os correspondentes com seus flashes e falas
Munido de estranha prontidão, o homem caminha nu entre os demais.
O que o move é a beleza de ouvir, quando o voo chegar, aquela voz

Rude promessa, cegueira que sabe. O lúmen, cadência veloz...

domingo, 2 de julho de 2017

passos de julho


Lenço branco, fita verde, teu nome eu bordo, contente
Um galho de macela, preso à barra
Aroma das minhas lembranças, caixinhas tantas
Releio as cartas que escrevi, sem volta
Instante ázimo, de pensar que pena, não é meu...
Zéfiro agita os galhos nus, inverno segue, algum sol
A consciência a me dizer cresce, cresce, cresce
Deixa as bonecas, panelinhas, o herói e cresce, contente

Anima minha, ilusão a me perder nos corredores sem fim

segunda-feira, 19 de junho de 2017

inverno







Ou quem sabe, em toda parte, haja um punhado de afeto.
Insisto em atar o conceito a algum molho de macela
Novelo espevitado, meio flor meio ramo, meio projeto.
Veem-se as trouxinhas acotoveladas nas cercas, juntas por um cordão
Enlevadas antes de o sol nascer da sexta-feira da paixão
Recheio de travesseirinhos, nena particular de benzedeiras,
Notáveis tradições do sul, calmantes de bem-querer.
Ou quem sabe, em toda parte, haja um punhado de afeto.
Viveiros pungentes de maritacas a cantar, árvore edênica no meio dos campos gerais.
Enluaradas expressões de pulso, refletidas por um sistema linfático,
Magnificas ondulações de rio, intrincadas, úmidas,
Acalanto geodésico, noites do alternativo fio.
Canta em mim o desejo de correr mundo.
Ou, quem sabe em toda parte, haja um punhado de afeto.
Lonjuras no horizonte, estradão, um lenço branco e bordado,
Horas plácidas, um coração cadente embalado em cama fofa,
Enchimento lanífero, uma vida inteira de cisma e prontidão.
Nada pode reter o remo, a canoa entoa certa ladainha.
Dores as mais pisadas lanham as carnes, tentações de toda sorte juramentam.
O pensamento, espelho de estrelas, conta todas as histórias,
Notações; esboços, causas, vãs e pontuais.
Ou, quem sabe, em toda parte haja um punhado de afeto.
Soam os guizos das reses
Some, ao longe, aquele dia da queda, a última folha de outono.
Ou quem sabe...
Vontade há, de sobra, de escrever a mais linda história de vida
Encantada, luarizada, renovável até o infinito...
Insisto, insisto em atar o conceito a algum molho de macela
Ou, quem sabe...



inocência em fins de julho

Inocência é onde está a Beleza.  E onde está ela?  Na herdade?  Na festa de Santo Antonio?  No abraço? Na negação dele?  Inocênc...