quinta-feira, 20 de julho de 2017

ensaios


baú
patrimônio imemorial
oxidação
teus passos
meus passos
abstinência

arco e chifre
olhos plácidos
camisa alva
e pés no pasto
plateia de alabastro

ideias
Aldebarã
teu casaco marrom
as mãos
vilanias
entreposto

manifestação
madrugada
o silvo nítido
abri a porta
era por mim
que eu buscava




terça-feira, 11 de julho de 2017

verso de julho




Horas se passaram na brancura de um verso
Ele vergava lento, sob o peso da declinação
As palavras nele impressas eram luzeirinhos azuis
Cantantes atrevidas, desconexas, primaveris
E era inverno, recém chegado
Algo de contente, insulado,                                
Um levante, um beijo
E o verso moveu-se, absorto,
Sustendo elucidações mal transcritas

Desavisado dos grandes murais logo em frente

quinta-feira, 6 de julho de 2017

uma tarde noite


Lúmen, cadência consonante, um lago
A palavra cala, roída por tingir a calçada
Garatujas todavia, filigranas por nascer em passeio breve
O aeroporto aguarda contato, silêncio reverente
Indecisão no hangar, conexão em atraso, emoção confusa
Gotas de chuva pontuam a lente, câmera em punho
Resta esperar o voo que tarda, nutrir o encanto
Entre os apetrechos de anotar jaz uma flor, dessas que se empaginam
Junto dela um frasco pequenino, perfume encanecido, um gravador
Intenção primeira verter num cesto tanta memória
Nesgas de ideias, fotos amareladas, uma igrejinha, recortes de jornal
Horas de uma vida de repórter, de flagrantes, de perdas, senão danos
A palavra enlouquece, quer voar, flecha certeira, pequena morte, gérmen!!
Aguardam em sala vip os correspondentes com seus flashes e falas
Munido de estranha prontidão, o homem caminha nu entre os demais.
O que o move é a beleza de ouvir, quando o voo chegar, aquela voz

Rude promessa, cegueira que sabe. O lúmen, cadência veloz...

domingo, 2 de julho de 2017

passos de julho


Lenço branco, fita verde, teu nome eu bordo, contente
Um galho de macela, preso à barra
Aroma das minhas lembranças, caixinhas tantas
Releio as cartas que escrevi, sem volta
Instante ázimo, de pensar que pena, não é meu...
Zéfiro agita os galhos nus, inverno segue, algum sol
A consciência a me dizer cresce, cresce, cresce
Deixa as bonecas, panelinhas, o herói e cresce, contente

Anima minha, ilusão a me perder nos corredores sem fim

segunda-feira, 19 de junho de 2017

inverno







Ou quem sabe, em toda parte, haja um punhado de afeto.
Insisto em atar o conceito a algum molho de macela
Novelo espevitado, meio flor meio ramo, meio projeto.
Veem-se as trouxinhas acotoveladas nas cercas, juntas por um cordão
Enlevadas antes de o sol nascer da sexta-feira da paixão
Recheio de travesseirinhos, nena particular de benzedeiras,
Notáveis tradições do sul, calmantes de bem-querer.
Ou quem sabe, em toda parte, haja um punhado de afeto.
Viveiros pungentes de maritacas a cantar, árvore edênica no meio dos campos gerais.
Enluaradas expressões de pulso, refletidas por um sistema linfático,
Magnificas ondulações de rio, intrincadas, úmidas,
Acalanto geodésico, noites do alternativo fio.
Canta em mim o desejo de correr mundo.
Ou, quem sabe em toda parte, haja um punhado de afeto.
Lonjuras no horizonte, estradão, um lenço branco e bordado,
Horas plácidas, um coração cadente embalado em cama fofa,
Enchimento lanífero, uma vida inteira de cisma e prontidão.
Nada pode reter o remo, a canoa entoa certa ladainha.
Dores as mais pisadas lanham as carnes, tentações de toda sorte juramentam.
O pensamento, espelho de estrelas, conta todas as histórias,
Notações; esboços, causas, vãs e pontuais.
Ou, quem sabe, em toda parte haja um punhado de afeto.
Soam os guizos das reses
Some, ao longe, aquele dia da queda, a última folha de outono.
Ou quem sabe...
Vontade há, de sobra, de escrever a mais linda história de vida
Encantada, luarizada, renovável até o infinito...
Insisto, insisto em atar o conceito a algum molho de macela
Ou, quem sabe...



segunda-feira, 12 de junho de 2017

o mar dos teus olhos

Eu queria te cantar
uma canção que fosse todo o mar
eu queria te cantar
uma canção que fosse todo o mar
todo o mar são teus olhos
todo o mar são teus olhos
ai, amor

terça-feira, 6 de junho de 2017

prece e junho segue







Eu vou cantar esta canção de paz eu vou lavar os corações e mais eu vou fazer do dia que já vem o derradeiro caminho pro mar eu vou cantar pra aliviar a dor eu vou romper com os grilhões do amor e vou fazer do dia que já vem um candelabro pra abrigar a luz do sol eu vou cantar pra anunciar o bem eu vou tocar o coração de alguém e vou fazer do dia que já vem um novo manto e esperar o trem eu vou cantar esta canção de paz eu vou rezar pra minha voz soar eu vou fazer do dia que já vem renda de bilro para ofertar eu vou cantar esta de paz eu vou cantar até o viajor chegar eu vou fazer do dia que já vem um córrego pra o carro de ouro...


7 de junho


O cerimonial.
o carcereiro.
o editorial.
o romanceiro.
O homem que esperávamos
e não veio.
O Papa.
o camareiro.
o circunstancial.
o farfalheiro.
O homem que dividíamos
e tornou-se
reverso.
entrou por uma porta
saiu por outra
O rei, meu senhor,
que te torne
cavaleiro.

ensaios

baú patrimônio  imemorial oxidação teus passos meus passos abstinência arco e chifre olhos plácidos camisa alva e p...