segunda-feira, 19 de junho de 2017

inverno







Ou quem sabe, em toda parte, haja um punhado de afeto.
Insisto em atar o conceito a algum molho de macela
Novelo espevitado, meio flor meio ramo, meio projeto.
Veem-se as trouxinhas acotoveladas nas cercas, juntas por um cordão
Enlevadas antes de o sol nascer da sexta-feira da paixão
Recheio de travesseirinhos, nena particular de benzedeiras,
Notáveis tradições do sul, calmantes de bem-querer.
Ou quem sabe, em toda parte, haja um punhado de afeto.
Viveiros pungentes de maritacas a cantar, árvore edênica no meio dos campos gerais.
Enluaradas expressões de pulso, refletidas por um sistema linfático,
Magnificas ondulações de rio, intrincadas, úmidas,
Acalanto geodésico, noites do alternativo fio.
Canta em mim o desejo de correr mundo.
Ou, quem sabe em toda parte, haja um punhado de afeto.
Lonjuras no horizonte, estradão, um lenço branco e bordado,
Horas plácidas, um coração cadente embalado em cama fofa,
Enchimento lanífero, uma vida inteira de cisma e prontidão.
Nada pode reter o remo, a canoa entoa certa ladainha.
Dores as mais pisadas lanham as carnes, tentações de toda sorte juramentam.
O pensamento, espelho de estrelas, conta todas as histórias,
Notações; esboços, causas, vãs e pontuais.
Ou, quem sabe, em toda parte haja um punhado de afeto.
Soam os guizos das reses
Some, ao longe, aquele dia da queda, a última folha de outono.
Ou quem sabe...
Vontade há, de sobra, de escrever a mais linda história de vida
Encantada, luarizada, renovável até o infinito...
Insisto, insisto em atar o conceito a algum molho de macela
Ou, quem sabe...



segunda-feira, 12 de junho de 2017

o mar dos teus olhos

Eu queria te cantar
uma canção que fosse todo o mar
eu queria te cantar
uma canção que fosse todo o mar
todo o mar são teus olhos
todo o mar são teus olhos
ai, amor

terça-feira, 6 de junho de 2017

prece e junho segue







Eu vou cantar esta canção de paz eu vou lavar os corações e mais eu vou fazer do dia que já vem o derradeiro caminho pro mar eu vou cantar pra aliviar a dor eu vou romper com os grilhões do amor e vou fazer do dia que já vem um candelabro pra abrigar a luz do sol eu vou cantar pra anunciar o bem eu vou tocar o coração de alguém e vou fazer do dia que já vem um novo manto e esperar o trem eu vou cantar esta canção de paz eu vou rezar pra minha voz soar eu vou fazer do dia que já vem renda de bilro para ofertar eu vou cantar esta de paz eu vou cantar até o viajor chegar eu vou fazer do dia que já vem um córrego pra o carro de ouro...


7 de junho


O cerimonial.
o carcereiro.
o editorial.
o romanceiro.
O homem que esperávamos
e não veio.
O Papa.
o camareiro.
o circunstancial.
o farfalheiro.
O homem que dividíamos
e tornou-se
reverso.
entrou por uma porta
saiu por outra
O rei, meu senhor,
que te torne
cavaleiro.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

E, junho.


 arte: diva schultz


E junho chegou com seu tear
suas meadas e esboços.
O outono caminheiro sorri
as folhas do ébano
ígneas
plasma
tecido e samovar.
Deve fazer frio,
devemos descorar...
Uma finita progressão de anotações
nos aponta
a cartografia dos liames,
viajores
habilitados em poucas artimanhas;
ou seriam sendas tamanhas,
luminares pacíficos
poças atrofiadas
e desejo de benfeitorias?
Hoje a febre é álibi.
As fotos, expressões virtuais
de um amor inventado
encarnado
mentem.
Ou talvez atestem
grandezas maiores
das que possamos ver.
Ah, que nós alcançávamos lá fora,
no breu da plateia,
a esperança.
E veio, como ciclone
o arroubo desesperado
e teríamos que dar voltas e voltas
para dizer um abraço.
Silêncio na arte.




inverno

Ou quem sabe, em toda parte, haja um punhado de afeto. Insisto em atar o conceito a algum molho de macela Novelo espevi...