sábado, 4 de junho de 2016

junho antonino






4 de junho


frio, trouxas azuis pelo céu
livros antigos
um pote de cacto
dois casacos cheios de bolinha
revezam arame
dentes que riem diante do primeiro espelho
cama amarfanhada
fim de tarde
bruma
e uma flor de anis
ou talvez um bando de palavras
com febre


um bando de palavras
celeradas
cisudas
cismadas
palavras
com febre
com asma
luxadas
com frio 

12 de junho


Renda barroca,
quarenta carreiras
sonora garoa vocal
pedrarias de cantar
histórias de bem-querer
vem chegando a curva
quando eu ia pensar
de dizer
quarenta noites cantei

Cantei quarenta saudades
cantei rendas nas janelas
calçada úmida
contas de colar
histórias de véu, de céu, de fel
curvas e descurvas, sonho e pó.
Que virá depois da curva?
O filho da flô marió?

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