sexta-feira, 13 de novembro de 2015

novembro de Mariana




www.mbigucci.com.br A primeira cidade mineira



13 de novembro

Hoje o verso foi cantar em Mariana.
Encontrou lá o maior diamante do mundo.
Contou, solitário,
tantas peneiras por alí bamboleadas
Tanta água e pé com fungo e sílica
Morena esquecida ou algum quimbundo
Coisa de gente escaldada, perdida.
Hoje o verso foi cantar em Mariana.
A mãe de noventa e cinco anos (e isso já é outro verso)
Entrevada
Pediu à filha cuidadora
Me põe o vestido vermelho
Que hoje tem bamboleio no bulício
Loanda kukambula mbundu xequerê
Vixi Maria vem, vem logo te benzê
Hoje o verso foi cantar em Mariana.
Ah Rio Doce, rio doce... pescador já vem
Pescá saudade do meu bem
Jogá  tarrafa, fazê nenêm...
Ó encontro espiritual!
O verso, na margem, olhou suspiroso aquilo tudo.
O leito de mais um poema
Velou o cascalho da vida sofrida de Santarém

15 de novembro

Ler " O Rio Doce está completamente morto" é de cortar o coração, é de dilacerar o coração... rio tem alma? Almas, zilhões de almas por nascer?... não consigo parar de pensar naquele engenheiro que me interpelou lá na Vale há algum tempo: e o que vamos fazer? Cantar?... só posso fazer isso, moço, não tenho como desviar a lama, conter a lama, só sei cantar...lembro dos vagões, muitos vagões, cheios de minérios... do cheiro de Governador Valadares... e dos peixinhos que cantei, o Peixe Vivo... Dona eis requiem...

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