quarta-feira, 16 de abril de 2014

Odes pela Páscoa

lianeguariente

                          Aos meus familiares

Canto neste dia aos meus antepassados
A canção da luz dourada. A canção do monte.
Muitos eons contam nossas histórias de encontros,
Povoam de nossas memórias de amores o Universo.
Os pais de todos os eons que foram meus, Evoé.
Suas pegadas de procura, de luta pela subsistência,
Momentos de pavor, horror e dor em suas trajetórias.
Onde quer que seja a morada de seus livros
Rare, rare a todos os ancestrais.
Felizes daqueles de nós que tem em seus altares
O álbum de seus mortos e vivos desta vida.
Gênese rica daquilo que é, e que é, e que é e que será.
Emblema de nossos agradecimentos por termos vindo
Neste tempo de transição planetária.
Estudar, arar, progredir, eis a nossa fonte.
Tenho o canto sob a língua, sou poeta multimilenar,
Ícone de terras extintas.
Comecei meu fluir há tantas gerações que perdi a conta.
Onde encontrar consolo, senão nos diários de meus avós.
Salve, salve todos os ancestrais.


Mais vale ter experimentado.
Eis o argumento deste poema.
Mais vale ter experimentado o doce
O áspero, o amargo, o engano.
Rolei sobre pedras pontiagudas o meu corpo
Incapaz de perceber
A clareza das lições espirituais contidas em tal gesto
Conduzi minha vida sob tirana tensão
Onde era necessária gentileza.
Leio sem parar.
Estudo o mais que posso.
Tudo a mim impondo uma disciplina que não vem.
Iniciativa mais que tolerável,
Vista sob o prisma do progresso.
Acorda, me digo, acorda para a serena luz do saber...


Neste tempo cruz,
Atendo ao chamado da necessidade.
Teria como estar próxima a meu pai desta vida,
Umas horas pelo menos,
Rumando para as terras de sua mãe.
Escrevo em pequenos papéis as mágoas, as dores, e as queimo.
Zumbiu o cincerro e fui convocada a orar
A canção da cruz

Os imigrantes europeus vieram ao Brasil fugindo da fome
Crentes de que o trabalho os ungiria de luz.
Energia de penúria foi emanada aos seus descendentes,
A fim de que soubessem, estes, que a vida é árdua, sofrida, escravidão.
Nuvens de pó e lágrima levadas pelo vento da História
Ouvem a canção da manjedoura.
Doces emanações de esperança interrompem o padrão.
Escrevo em papelotes tudo o que era treva, para queimar em fogo brando.
Engendro de alegria, abundância e cor das águas claras as gerações novas.
Nada será como antes. E se o inverno vier, e virá, haverá coberta e grãos.
Entoo o canto da manjedoura.
Risos conversa farta e profícua povoarão sua mesa, família desta vida.
Graça, força e serenidade os acolham.
Imaginação fértil e jardins acompanhem seu encontro.
Aqui onde estou, o berço cheira a camomila, para dissolver crenças vãs.

Desde que subi o Gólgota da minha vida
Imitei a atitude de Simão e sorvi a luz do Sol.
Suor e lágrimas afligiram minhas carreiras de sangue.
Sangrei, singrei, e segui caminhando pelas pegadas do Sol.
O orvalho das manhãs me pegou dormindo muita vez,
Lua e estrelas foram mais que companheiras em meu flertar.
Venci meu sinimbu , meu banzo maracatu.
Entoei o canto das garças, das cegonhas.
Razão suficiente para estar aqui, aguardando a Paixão.
Ouvi os sinos da Matriz de Colombo, Paraná. Os da São José deixo a meu pai ouvir.
Soaram vêneto os badalos, mais que ancestrais. Aos pés de Santo Antonio de Pádua.
Ninetta, canção de apelo, quanta equivocação...
Os sonhos são mais que cartas de adeus.
Seguem a matizar de azul o que já foi sem cor.

Canto neste dia aos meus antepassados.
Rompo com os tapumes carcomidos pelo tempo.
Invisto em modos de cura, invoco a paz entre os humanos.
A canção da luz azulada, lápis lazúli. É o que me faz cantar hoje. E sempre.
Reporto-me a tudo o que excelso, volátil, amplo.
Leio os apanágios dos antigos e só encontro vitalidade.
As desistências, os suicídios, é o que vim consertar.
Cessa a incoerência. É de viver que tratamos.
Os momentos de surto serão momentos de compor.
Soa neste dia a canção lápis lazúli. É o que me faz cantar hoje. E sempre.

Um comentário:

  1. Obrigado Liane Tdo Isso é Lindo !!! Gostei mto sempre te admirei por vc ser uma pessoa independente, faz o que gosta o que te inspira imagino como vc vai em busca de seus objetivos, continue sempre na busca de seus ideais saiba que vc é uma linda mulher. Valeu kerida Prima seus pais dvem ter mto orgulho de ti !!! Pais e filhos são maravilhosos filhos de "DEUS" que convivem sempre em harmonia no que concerne á personalidade, pais e filhos são seres independentes. Embora suas almas sejam independentes, são tdos maravilhosos filhos de "DEUS". Somente qdo se alicerçam nessa Verdade, pais e filhos conseguem ser livres uns em relação aos outros, apesar do vinculo estreito que os une . Hje. deu inspiração me desculpe o Portugues o ingleis nóis destrói. Uma ótima Pascoa a vc seja eternamente "FELIZ" receba nosso gde abraço de coração te admiramos sempre bjjos.

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