domingo, 21 de outubro de 2012

Um copo d' água do tempo de Eledá

Foto: Forte S. João Batista (Foz do Douro) - Porto.*Descobrir Portugal
Horário de verão.
No fim desse tunel mora a esperança,
um copo d' agua do tempo,
samba de roda da viração.
No clarão das janelas anunciadas
se vê o rio
um copo d' agua do tempo
samba de roda da viração.
O fruto do trabalho madrugueiro
sacraliza as celulas
a se formarem em mim.
Um copo d' agua do tempo,
samba de roda da viração.
Joguei os buzios
e se apresentou

*Oxossi
dono das florestas
seiva nas veias das arvores
silvo na orla das folhas
orvalho.
E eeeeeeeeeeeeeeee...
Agua.
"Para lavar a roupa da minha sinhá".
Há bençãos aquosas
correndo em minhas veias.
Domingo cinza amarelado,
nuvem d' agua boiando no céu.
Um copo d' agua do tempo,
samba de roda da viração.
Consegui pensar em teu namoro
e escorrer.
Um copo d' agua do tempo,
samba de roda da viração.
No quadro que se apresentou
sobre a esteira
sete buzios abertos
nove fechados
falou

 *Obaluaiê.
Cordão energético entre corpo e espírito
hora do feto
hora do líquido amniótico.
Bebo da agua de Deus
e penso no tratamento
dado a ela pelos homens, qual química lhe corre
pelos tubos...
Um copo d' agua do tempo,
samba de roda da viração.
Os homens desafiaram os relógios há pouco
deram-lhes cordame e lubrificação.
O tempo corre pelo tempo,
ilusão de adentrar futuro.
Consegui pensar em mãe
e escorrer.
Agua,
"Para lavar a roupa da minha sinhá".
Um atrapalho no fluxo,
um atropelo
um atalho
uma cantiga que sopra
um orvalho
"O guarda civil não quer
a roupa no quarador"...
Na esteira de olhos abertos
de olhos fechados
um aceno

*Oxaguian
me fala, fluxo de rio,
guerreiro destemido,
romântico
nervoso
Eppieê.
Desfaço a imagem da agua do chuveiro
descendo sobre a pele
como véu da noiva.
Um copo d' agua do tempo,
samba de roda da viração.
La vem, la vem, la vem a
agua do mar
agua da fonte
agua da foz
agua do córrego
agua da vida
agua a correr
agua  regato
agua Douro
agua Tejo
agua Rabaçal
agua Gorgoço
agua Valpaços
agua Araguaia
agua Paranapanema
Igapó
Ivai
Itararé
  *foz do Paranapanema
um copo d' agua do tempo
samba de roda da viração...
"Para lavar a roupa da minha sinhá"...
"Meu Deus onde eu vou quarar
quarar essa roupa..."
onde darei conta de tanto conhecimento
se e só trabalho
e o amor
me escorre...
Vem, meu Eledá
me acudir
um copo d' agua do tempo,
me escorre, que tenho sede...

p.s: odeigbo.webs.com/oxalufanouoxaguian.htm

Lenda
Oxalufan (forma mais velha de Oxalá) era um rei muito idoso que andava com dificuldade, apoiado em seu cajado, o apaxorô. Um dia, sentindo saudades do filho Xangô, resolveu visitá-lo. Como era de costume na terra dos Orixás, consultou Ifá para saber como seria a viagem. Este recomendou que não viajasse. Mas como o Orixá teimasse em ver o filho, foi instruído a levar três roupas brancas e limo da costa (pasta extraída do caroço de dendê) e fazer tudo o que lhe pedissem.

Com essas precauções, o Orixá partiu e, no meio do caminho, encontrou Exú Elepô, dono do azeite de dendê, sentado à beira da estrada, com um pote ao lado. Com boas maneiras, ele pediu a Oxalufan que o ajudasse a colocar o pote no ombro.


O velho Orixá, lembrando das palavras do babalaô resolveu auxiliar Exú, mas Elepô, que adora brincar, derramou todo o dendê sobre Oxalufan. O Orixá manteve a calma, limpou-se no rio com um pouco de limo, vestiu outra roupa e seguiu viajem. Mais adiante estavam Exú Onidu, dono do carvão e Exú Aladi, dono do óleo do caroço do dendê. Por duas vezes mais foi vitima dos brincalhões e procedeu como da primeira vez, limpando-se e vestindo-se novamente.


Ao se aproximar das terras do filho, avistou um cavalo que conhecia muito bem, pois presenteara Xangô com o animal tempos atrás. Resolveu amarrá-lo para levá-lo de volta, mas foi mal interpretado pelos soldados, que julgaram-no um ladrão. Sem permitir explicações, eles espancaram o velho até quebrar seus ossos e o arrastaram para a prisão. Usando seus poderes, Oxalá fez com que não chovesse mais desse dia em diante, as colheitas foram prejudicadas e as mulheres caíram estéreis.


Preocupado com isso, Xangô consultou um babalaô e este afirmou que os problemas se relacionavam com a injustiça cometida sete anos antes, pois um dos presos fora acusado de roubo indevidamente. O Orixá dirigiu-se à prisão e reconheceu o pai. Envergonhado, ordenou que trouxessem água para limpá-lo e, a partir deste dia, exigiu que todos no reino se vestissem de branco em sinal de respeito ao pai, como forma de reparar a ofensa cometida.


É por isso que no Brasil comemora-se as Águas de Oxalá, cerimônia onde todos se vestem de branco e limpam os pertences com profunda humildade para atrair a boa sorte para o ano todo.


Oxalufan tinha um filho chamado Oxaguian (forma mais jovem de Oxalá), muito valente e guerreiro, que almejava ter um reino a todo o custo. Era um período de guerras entre dois reinos vizinhos e seus habitantes perguntavam sempre aos babalaôs o que fazer para a paz voltar a reinar. Um dos sacerdotes respondeu que eles deveriam oferecer ao Orixá da paz, que se vestia de branco, como uma pomba, muito inhame pilado, comida de sua preferência.


Oxaguian, que significa “comedor de inhame pilado”, apreciava tanto essa comida que ele próprio inventou o pilão para fazê-la. Depois que as oferendas foram entregues, tudo voltou às boas. Oxaguian tornou-se conhecido por todos e conseguiu seu próprio reino. Até hoje são oferecidas grandes festas a esse Orixá para que haja fartura o ano todo. 


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