quarta-feira, 6 de setembro de 2017

verso bordado


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Lá fora a luz do dia, baça.
Tu me disseste qualquer desafeto, verso
E foste embora sem adjetivo que se interpusesse.
Eu, às voltas com ironias de Machado de Assis,
Acostei-me, soltei o lápis e suspirei.
Às vezes, compor versos é como esperar geada.
Um vento ribeiro, de cor incerta
Esfriou-me os pés e o pescoço.
A poesia das coisas como que me deu as costas.
Investiguei, dentro, as possibilidades:
Uma tesourinha de aparar bordado;
Um linho amarrotado, um rascunho de flor;
O mutismo das palavras, sua ação simplória.
As horas, que passam mesmo que o pêndulo pare,
Brincavam de cantar paródias não ortodoxas
Sobre a vida que continua, os universos dissolventes
E toda essa discussão
De filósofos, cientistas, religiosos e,
Ouso insuflar,
Alienistas.
‘O orvalho fez coberta nas folhagens’
Já versava em outro texto muito ruim.
Que sim, vai-se avaliando o trabalho diário
E a maioria dos dias se joga ao fogo...
Estranho amor, ou dor, ou desejo
Dispôs mais este verso sem rima para ‘im’.

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