quinta-feira, 6 de julho de 2017

uma tarde noite


Lúmen, cadência consonante, um lago
A palavra cala, roída por tingir a calçada
Garatujas todavia, filigranas por nascer em passeio breve
O aeroporto aguarda contato, silêncio reverente
Indecisão no hangar, conexão em atraso, emoção confusa
Gotas de chuva pontuam a lente, câmera em punho
Resta esperar o voo que tarda, nutrir o encanto
Entre os apetrechos de anotar jaz uma flor, dessas que se empaginam
Junto dela um frasco pequenino, perfume encanecido, um gravador
Intenção primeira verter num cesto tanta memória
Nesgas de ideias, fotos amareladas, uma igrejinha, recortes de jornal
Horas de uma vida de repórter, de flagrantes, de perdas, senão danos
A palavra enlouquece, quer voar, flecha certeira, pequena morte, gérmen!!
Aguardam em sala vip os correspondentes com seus flashes e falas
Munido de estranha prontidão, o homem caminha nu entre os demais.
O que o move é a beleza de ouvir, quando o voo chegar, aquela voz

Rude promessa, cegueira que sabe. O lúmen, cadência veloz...

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