quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

fim, começo, os dois lados da meada e suas emendas









abóbada de vidro temperado
céu azul de uma tarde penúltima
o gosto da companhia efêmera
lá no ano anterior da história

emenda em meada coloral do ano que finda
drops de ping-pong para lamber uma semana
a começar da tarde jasmim ou seria mínima

o parque eletrônico tem cheiro de pipoca de microondas
e polainas pink para o inverno
é verão

quase zomba, quizomba, quizumba num samba
solidão de poeta a me rondar os assombros
a bela moça, criança nos olhos
fala de outras tardes a subir e descer e rodar

quase um poema, quase nostálgica brandura
vestida da mansidão dos dias sem dormir
minha loucura aconchega na palma José e Joaquim
dois homens ciganos de Vilabrequim

sou feliz, quem sabe
a exemplo dos romances múltiplos de Mario de Andrade
Neruda sobrevive em cem sonetos de amor

Minha mãe, meu fanal, farol, Jardim de Alah
fala-me de algum lugar do céu
Tenho o fogo
graça,
pertenço
e esqueço o refrão

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