segunda-feira, 2 de junho de 2014

Eu sei que é junho e outros textos



2 de junho

o que informa o belo artefato?
o potente desmembramento
o corpo que vai à Terra
a alma que alça a Júpiter
e enfim
que deveríamos ter um contato mais íntimo com Cuidado

11 de junho

Faz tempo, penso quando tudo termina. Quando as síndromes virarão flor.
Leio artigos, busco as impressões mais convergentes.
Uns são partidários de um devir, outros não sabem. Outros cantam. Solários.
Impacto alegre, triste, e a faixa índigo a tingir-lhe a mandíbula. Lágrima.
Dos lábios, um grito, de dor, de pavor, de horror, era a Morte a lhe cuspir o sangue.
O meu gesto de imposição das mãos carecia de Reike,
mas o fiz, na base dos pulmões, rezando.
Visualizei o paraíso lunar, algo como delicadas promessas de jardins suspensos.
Intui que os gorgolejos abdominais vaticinavam uma trégua de células loucas.
Tão intensa a comoção, tão indagador o meu olhar para o Anjo que eu não via.
A atmosfera permaneceu cheia do espírito da arte. Soaram as vozes, algum desafino.
Lá, na noite fria, minha gata dormiu-a inteira, enrolada no meu braço direito.

30 de junho


Hoje é segunda de belo sol, friinho sereno, inverno de começo.
Literatura e pintura embalam-se ao som das construções,
as serras de azulejo dando seu do.
Junho nos sauda, que já vai caindo a última tarde dele em 14.
Paz na Terra, a não ser em setores em que as gentes não sossegam.
O mundo enfeita-se em seu enlevo de alvíssaras. Ilusão.
Torres de comando anuciam partidas a cada minuto.
Melhor rabiscar tais linhas de adeus.

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