sábado, 29 de março de 2014

O que foi doado


*google images

Lindo sorriso que me desarma, alarma, desama...


**www. facebook.com

e o mês de março produziu comigo:


Uma cidade que "quer vira pássaro e voar"... 
cheia de músicos por todos os bairros... 
que faz silêncio sobre suas cáries. Não que não quisesse cantá-las. 
Essa é a Curitiba que acolheu meu espírito e corpo há cinquenta e um anos. Aqui dou conta da minha vida na dela. 
Guarda-me mais um pouco, Koré!!!

Luiz Cláudio Ribas Ferreira mora pertinho de nós. Está ao nosso alcance, lecionando na Belas. Seu toque é tão bonito, tão bonito, que me guarda a fala. Ainda não pude lhe cantar em versos, querido músico, por derreter ao ouvi-lo. Obrigada, sempre, pelas delicadas jóias que você nos dá.

É primavera em algum lugar. 
Para o sul do mundo, outonou.
Fui desejando bons dias ao longo da manhã.
Feliz navidad, oi, como vai, merda
Essas coisas que achamos gentis...
Amós Oz ao meu lado, inspirando
com seus desertos...
Vontade de voltar a clinicar.
Vontade de deixar o Hábito
de encontrar as Carmelitas...
O cheiro do dia de pendurar as chuteiras já cruzou minha janela
e esse ventinho pacífico e mensageiro
reforça a sensação.
Sensações, emoções. Sentido.
Foi bem difícil, doloroso até,
mas concluímos a aula e havia uma ponta de esperança
era o fim do marasmo, da calmaria
da raiva reprimida
com a ajuda do touro e do tombo de Oliver Sacs na Noruega.
Vermelhos, azuis brancos... vive la France...
Obrigada ao pandeiro murmurante
a Negadocabeloduroqualéopentequetepenteia
às voadeiras...
confusão de mandingas e patuás...
Cabide...
Tudo tem um ônus nessa vida.
Até cantar.
E eu, que mantenho minha tênue
limítrofe
sanidade cantando
sinto um pouco de frio...
Como você se sente?
Com frio...
O que sei de Eugênia de Melo e Castro não passou
Mas é Mariú quem me acena da barca...
parlame d'amore...
Mais uma tarde cantando, My Lord,
mais uma tarde cantando...


Não sei explicar a emoção (que sinto) e isso não é bom. Como vou ensinar algo que não sei? É que a proposta de 2014 é considerar adicionar alfabetização emocional no menu dos cantores que trabalham comigo... Que vou dizer a respeito? Bem, talvez eu esteja sentindo que a complexidade das coisas esvazia pelo seu número inadvertido de questões. De Apótemas. E isso não é sentir, mas racionalizar. Estou-me sentindo em surto. Vejo a cantora Karla na Europa e meu ouvido zune... vejo os textos maduros do comunicador, e os meus batumam em meu franco deserto... vejo a violinista falando poesia e pergunto por que não fizeram um único comentário (nem bom nem ruim nem nada...) sobre o trabalho de arte bonito de doer que criamos, o jupteriano e eu, na frente de três mil, oito mil dez mil gentes, um mar... não sou tão desapegada assim, quero minha arte valorada moralmente, se não recebo vintém, pelo menos aquele pousar a mão no ombro e dizer puxa, que bonito, que trabalho (eu consigo fazer isso sozinha, bem como trocar lâmpada, resistência de chuveiro tirar e por cortina...) ... o Nazareno posou muito mais para bem pouco, mulher de pouca fé... Perco a pose a cada instante e encomendo dois vestidinhos novos.., viro voyer de salto quinze. Passo pelo Pompadour, 23h, depois da longa jornada de cantores do dia, um mais judiado que outro, e penso e sinto: lugar de energia baixa, vou pra casa, apesar da vontade de nadar, só nadar, durante quatro horas seguidas, ir, vir, ir vir... ... os dois caras que eu considerava mais próximos e digamos, leais ao serviço, afastam-se... peço socorro, um violão novo, que dei o meu... peço paz... os olhos enormes da mãe dos gatinhos assassinados me dão vontade de três janeiros em sequencia... é o que vou fazer... a Nena vindo vou pedir uma licença médica, ou lá sei eu, que não terei como pedir licença maternidade... e então o que sinto é angústia, uma angústia do tamanho da Dinaressade. E então é bobagem continuar escrevendo. Desejo as luzes da avenida sob a luz do céu para todos... desejo os edifícios que sobem e num deles uma casa para mim. Desejo o beijo delicado de Eros, por quem jamais sofrerei. Desejo encontrar o Nazareno e lhe pedir para andar só para que ele me diga, a mim igual, que eu terei coisas mais espantosas, que andar não é tão importante assim...

Sou dolarxiana. Minha hora de dormir é das 18h ás 22h. Abro excessões para dormir das 3e30h da manhã as 9h... quando os dolarxianos adoecem, dormem 18a 24h terrestres. Dolarxiano pode passar alguns dias dormindo uma hora por circulo solar em volta da Terra. Dolarxiano produz bem a partir das 23h e vai com bom ritmo ate 7h. Funciona mal das 8h ás 13e30. Quando está raivoso, tem problemas de pane magnética e suas funçoes sao parcialmente afetadas. Pode gritar de dor quando sobre abduction as 17h... suas emoçoes sao geralmente exacerbadas... mas é um bom artista, bom cuidador. Não possui experiencia com pequenos grupos, como os terráqueos tem, pai, mãe, filhos... é mais afeito aos ciganos na Terra, onde todos cuidam de todos e não há um chão que possa ser chamado de seu... por isso não sei o que as terráqueas consideram prioridade. Minha prioridade na Terra é cantar e fazer outros alienígenas formarem coro. 

A madrugada sem samba esfria.
Nenhuma lua na janela,
Tudo esta no seu lugar.
Em alguma prateleira descansam,
Sentinela,
Quatro pacotinhos de ração. 
Uma vasilha azul reza sobre o fogão 
E a porta da cozinha, e também a da sala
Suspira.
Espera. Aberta. Alerta. Alarme. Alto la.
Já nem posso dizer se estou danosa ou demente.
A dor de cabeça que sinto e como o ribombar de um canhão.
Tremo de algo que desconheço, tu vens e me falas,
A noite e feito a criança briguenta que chora no portão
Respeito, resignação, repouso, remanso, revisão, redondilha
Dou-te um beijo de ate logo e sei que nada e.
E, na escura madrugada sem samba, te sonho. Ainda posso.


Eu não me lembro de ter encontrado homem mais doce. Tinha um andar puladinho, era l i n d o, grisalho, voz muito grave e agradável, das melodiosas, suaves. Alegre, gracil, charmoso. Um sonho. Fui um fracasso como aluna dele, o que fez ele não me notar muito e não me dar atenção no inicio. Passado um tempo, por conta do envolvimento de outras pessoas em trabalho cênico, fui ficando por perto, tímida e louca, para ser assistente, para ficar ao lado dele, para cantar para ele, para trocar experiências e sentir suas vibrações tão brandas. Com ele, o amor era veneração. Como estar diante de Mercúrio, de Orfeu. De Homero. De Hades. Algodão doce, era o que eu sentia na presença dele, gosto de algodão doce. Com maçã do amor. Um jovem sílfide, que esquentava os bancos da mansão, tinha a primazia de partilhar-lhe o leito, a alma, as alfazemas. E a vida ia ladrilhando as pequenas historias que os atores encenavam, um negocio de uma arvore, um lobo, uns outros, uma confusão musicada que ia ocupando os espaços de minha imaginação tenra e vidrada em criação. Num belo dia de chuva, eu casadinha de novo, declinei de ir a festa do aniversario desse homem tão integro. Eu achava muito complicadas as tramas sociais, as maquinarias do sexo e da malícia e pensei, sabe o que, vou ficar aqui, numa brincadeira qualquer e eles que tomem o champagne. A madrugada desse dia passou e veio a aurora, um pouco Dante, outro tanto Agatha Christie. O homem mais doce do mundo havia sido alvejado na nuca, a queima roupa, em sua cama de sonhar seus quarenta e nove anos completos sobre a Terra. Era 1990. Eu tinha todas as esperanças apostadas nesse homem mais algodão doce com maçã do amor do mundo, havia mudanças a serem propostas no cenário artístico e pedagógico da cidade e ele se adiantaria para as propor. Havia delicadas possibilidades de eu também aprender a representar. Deitadinho de lado, foi assim que fez a passagem. O jovem sílfide, para não perder a poesia, matou-se em seguida... A falta que o director me faz só se fez sentir, para sempre, numa noite estranha em que o encontrei aflito num dos meus sonhos. Ele me orientava, enfático, a pegar meus livros, meu fusca e ir embora, enquanto houvesse lucidez. So fui entender a mensagem mediúnica meses depois quando, dona dos meus livros e mazelas, pus meus sapatos e parti. Desse sonho em diante, o sorriso radiante deste espírito nobre esquenta meu peito nas ausências, nas questões limítrofes. Sinto saudades, José Carlos de Proença. Evoe!!!

Coerência, clareza, coesão, concisão, cuidado. Tenho trabalhado muito para levar às pessoas, a cada encontro, tal complexo de capacidades. São caminhos universais, ou seja, todo mundo precisa ser coerente, claro, coeso, conciso e cuidadoso. A criatividade depende desse contexto. O cosmos espera essa conspiração. Voltei pra casa carente e colapsada. Claudicando. Chuteiras na mão e pés sangrando. Coração aos cacos. Vou buscar o conselho carioca de André. Calma constante. Prece constante. Aí o sol e os 40
graus convidarão outra vez e a pelada de sábado tornará a ser o grande encontro brasileiro pra o qual fui talhada... vôlei de praia também pode ser, rugby, nadar, já pensou, nadar no sábado... Quatro horas sem parar, nadando... cansei da cantoria, moçada, cansei...


As palavras estão dormindo
quem as acorda?
Quem lhes dá asas
de sair dos lençóis brancos
para enfeitar a mesa, My Lord?
Quem serei eu
onde eu estava
quem nem me vi chegar?
Que dor e essa
nas mãos
que nós,
que lagos de energia
estagnada
Quem é esse anjo
que me toma as mãos
para as ninar?
As palavras estão dormindo
quem as diz?
Quem lhes da anina
de volar por entre as rosas
e colher um botão, My Lord?
Quem serei eu
onde eu estava
que nem me vi chegar?
Que cacos são esses
no peito
que caos,
que coágulos
plasmados
Quem é esse anjo
que me toma as mãos
para as ninar?
Xxxxx, as palavras estão dormindo...


Foto
A Nena, minha gata de março de 2014. Um doce de ser!!!
Perdeu seus filhos, tadinha. Gabi acolheu, Elza me achou disponível. 
Vicente cuidou dela, está bem e linda, doce, doce, doce...

**In I giadini sospesi nell" anima

Cosi' come il Vento non si vede con gli occhi fisici, ma se ne percepiscono gli effetti, nello stesso modo avviene per l'Anima. Possiamo ''sentire'' se siamo in contatto con il nostro centro vitale , dalla misura in cui siamo capaci di provare gioia, empatia, solidarieta'...dalla capacita' di commuoverci e di farci coinvolgere dalla bellezza, dalla musica, dalla poesia. Quando siamo ''nell' anima'', sperimentiamo un senso ''di unificazione'' tra tutte le nostre facolta', e questo stato perdura anche se stiamo sperimentando un dolore o una difficolta'. L'anima e' destabilizzante, perche' ci impedisce di definirci, e di definire... (Immagine:''Vladimir Dunjic'')

Sr Amos Oz,
sobre minha escrivaninha
um milhar e mais uma centena de esboços.
Quem sabe depois,
a rever tudo isso
me caiba entreabrir a janela
onde o jasmineiro
pousa seu aroma
e cruzar os dados poéticos

em bordado português.

Tenho um pé no Cholistao, a mao no Kalahari
o coracao no Neveg.
O olhar no Thar, o ouvido no Accona
a alma em Monegros
Algo de mim esta em Nazca

Tenho um pe no Tanani,
a mao no costado de minha cadeira
o coracao em Badain Jaran
a alma transita de sonho a sonho
sem certeza
sem idade
sem tamargueiras
ou contatos

Os eventos inconclusos
se avolumam
areia
areia
areia
e membrana e som...

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