sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Por todos os santos


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Bom dia, o de Todos os Santos.
As leituras e os acontecimentos fizeram-me sentar hoje diante da tela branca e refletir um pouco. Em algumas dessas sessões de horóscopo de revista (não sei se vocês leem, eu leio, estudo com reverência o esoterismo) fiz um calculo proposto, e uma informação que faz sentido apareceu: que eu teria vivido em alguma região da China, no oitocentto, era fabricante de queijo. Gente do povo portanto, vivendo ali perto de onde passou Gengis Khan. Talvez eu tenha conhecido alguma fome. Isso me dá asas a imaginação há muito, de pensar em ancestrais, quantas mães, quantas avós eu tive e fui. E por que, afinal, vim florescer nesta época e no Brasil, para viver como vivo. Meu avô paterno desta era faria 100 anos hoje. Em dezembro, é a vez de minha avó materna, que completaria 101. Dos outros dois avós não tenho precisas as datas de seus nascimentos ou passamentos. Penso em todos eles, se todos poderão vir me esperar quando for minha hora de passar. Onde estarão eles? Já encarnados? Na China?
Penso nos outros laços parentais, que ainda se encontram encarnados, e na muralha que nos converge. Bem isso mesmo, uma muralha que nos torna atados uns aos outros, nem sempre por simpatia, mas porque as forças do Universo nos puseram assim, em campos opostos ou neutros, donos de alguma afinidade e idiossincrasias aos montes. Não, irmãos do budismo, longe de eu ter sido educada para a caridade. Talvez uma fímbria, advinda de ver pagar o dízimo e dar pão a alguns que batiam à porta de minha avó paterna. Também não fui educada a ser egocêntrica. Fiquei emmimmesmada por conta de auto proteção, para não morrer esmagada pelo peso de me sentir morta muita vez. O tempo vai trilhando comigo seu manancial. Já criei algumas coisas, já fiz tantas escolhas quanto pude. Desejo, neste dia em que todos os santos devem estar atentos, para que não se incendeiem seus altares, para que as velas roubadas aos seus pés sirvam aos larápios como luminária para suas consciências, que eles possam fluidificar as águas do mundo todo. Que possam ajudar-nos a liberar nossas memórias e encontrar as pontas dos nós que nos entrelaçam. Quero pedir particularmente por minha avó Maria Sebastiana e por meu tio Régio, que estejam bem e protegidos. Fiquem conosco neste dia, queridos santos. E sempre. Que assim seja.

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