segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Para Alberto Almeida


*Anochecer, Rufino Tamayo, 1953. Óleo sobre masonita. 29.8 x 80 cm. Knoedler Gallery. Nueva York. amantes del arte


Eu te ouvi ontem,
como faço habitualmente
nas as noites de domingo.
E tu falaste algo de mim
de minhas limitações
de meu corpo e espírito cindidos.
Eu te ouvi ontem,
como faço habitualmente
nas noites de domingo.
E tu falaste algo de ti
de tuas asserções
de teu corpo e espírito sadios.
E só olhar meu corpo.
E só olhar teu corpo.
Pensei logo no mar,
nas distancias
estreitas que sejam
naquilo que não pode ser
por determinação
por decreto
porque não pode ser.
Pensei logo no mar,
nas mares
lunares todas
dessas luas labiais
que surgem no céu vez por outra
naquilo que e
e que e
e que será.
Pensei no amor.
Na recusa do amor.
Na dádiva do amor.
Quem será que foi imensamente amado nessa vida, Alberto?
Quem será que foi amado a fartura, a ponto de não mais poder?
Quem e que já viveu um terremoto de amor?
Um tsunami de amor?
Uma avalanche de amor?
Não tenho como não resmungar que sim
o meu caráter fraco
retratado em meu corpo amarfanhado
e tão carente, de carinho, de tudo
que eu não largaria mais tua mão.
Por sorte és generoso, e ofereces tua voz
em palavras já ditas
reiteradas
e vem com ela um bocado do amor colossal das esferas,
para me fazer dormir afinal.
Olho, antes do sono vencer-me,
para a foto do homem que amo,
o vermelho rubro a tingir-lhe o casaco
de amor
feito vulcão em erupção.
Olho para esse homem
que não e
e não será o amor.

E penso, Alberto,
quem sabe se eu falasse contigo sobre esse sentir, sobre ais,
tu haverias de encontrar a luz da quietude e da contenção,
ingredientes sensatos para a jornada que abracei,
a de resignificar o conflito.
Obrigada, sempre, pela tua presença dominical.




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