segunda-feira, 23 de setembro de 2013

delírio de suspensão

*google images. A lista de Schindler

Tenho um jeito de encarar os fatos,
que me da uma vantagem em relação a falta de sentido.
Sempre fui tranquila para encarar a bucha e o sabão
a devassar uma ferida aberta.
Porque e objetivo, visível, claro.
Doi, depois fica limpo.
Prefiro eu mesma lavar, contudo.
Orgulho? Certamente, de quem sabe que precisa de um sentido.
E quando se trata de ferida subjetiva,
e e esse o caso no momento,
vou a biblioteca, eis o jeito de encarar os fatos.
Ouvi falar de Viktor Frankl em março de 2013,
pela voz melodiosa do Dr Alberto Almeida.
Na ultima sexta-feira, em busca solitária por sentido,
a bucha e o sabão no bolso,
divisei o titulo, cantando para mim:
O homem em busca de um sentido. 
Um livro escrito em nove dias, no ano de 1945.
Talvez haja desatinos maiores,
mas o advento da Segunda Guerra Mundial
sempre foi, para mim,
como "uma bandeira branca
pespontada com minúsculas flores roxas, de cor rara"...
do que os humanos são capazes,
como os humanos blefam,
como os humanos deturpam o sentido,
como, por que, quando, onde, o que...
e então se delineia a proposta: 
o que nos move, a nos humanos,
a permanecer vivos,
verdadeiramente vivos!!!?
Encontro-me no tal "delírio de suspensão"
que se produz na mente de um condenado no momento de sua execução.
O condenado e tomado pela esperança de que sua pena será perdoada
no ultimo instante...
Ja passei por horrores nesta vida,
e nada, nada, nada comparado ao que Viktor Frankl vivenciou
e pode, então, registrar.
Que a lucidez de suas convicções acalentem a minha tese.



"ÁSPERO AMOR, violeta coroada de espinhos,
cipoal entre tantas paixões eriçado,
lança das dores, corola da cólera,
por que caminhos e como te dirigiste a minha alma?
Por que precipitaste teu fogo doloroso,
de repente, entre as folhas frias de meu caminho?
Quem te ensinou os passos que até mim te levaram?
Que flor, que pedra, que fumaça, mostraram minha morada?
O certo é que tremeu a noite pavorosa,
a aurora encheu todas as taças com seu vinho
e o sol estabeleceu sua presença celeste,
enquanto o cruel amor sem trégua me cercava,
até que lacerando-me com espadas e espinhos
abriu no coração um caminho queimante." Pablo Neruda, 100 Sonetos de Amor

 

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