sábado, 29 de dezembro de 2012

Umbral


*art & architecture

Da somatória das horas
vem-me o testamento
crio palavras-ato
transformo nomes em atores
faço do pulso movimento
e abrem-se as cortinas do espetáculo
Apareço eu, réu
de adaga em punho
a ponta já fisgada em teu cadinho
meu olhar sombrio no tempo da gota
e o velo sanguíneo
a respingar no chão.
Vencido por vã desesperação
roubo tuas alegrias
tuas posses
lanço sal em tuas vestes
e cuspo em tua face fria.
O vento em espiral
traz-me o cheiro da maré.
Hora de voltar...

Acrobata da Dor
Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta ...

Pedem-se bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.
Cruz e Sousa  

 

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