domingo, 2 de dezembro de 2012

Dia de Santa Bibiana

Natal em ingles tem um cheiro.
Em alemão outro.
Em cada idioma um Natal,  Babel.
                      *
Um taxista, dos vários com quem rodei essa semana,
me disse para desejar Feliz Natal
com quem diz até logo,
independente da comemoração,
assim se mantém as luzes acesas.
Ouvi com outro deles uma radio aos berros, 97.5
que falava sobre rodeios e CTGs,
que as touradas estão caindo em desuso na Espanha
e que agora o que vão laçar nas arenas do Brasil
são motoqueiros...
Outro taxista deixou o ar condicionado tão frio
que quase não tenho voz para hoje...
Outro ouvia um programa de esportes
em que Diogo Portugal é comentarista...
Outro falou sobre um composto chamado Vida Saudável,
que vai salvar sua esposa diabética,
mãe de dois bacurinhos louros,
amante do sal e do açúcar em profusão,
com o fígado decretando falência...
Outro contou sobre uma rua abastada do bairro Santa Cândida,
que resolveu criar uma comunidade
para cuidarem-se uns aos outros,
a princípio de assaltantes,
com direito a bottons de identificação,
câmeras de segurança,
churrasco
chimarrão
cerveja com gosto de nada
reuniões deliberativas
o fim da solidão...
                          *
Gostaria de cantar em silêncio Oh Holly Night,
mas ele será barulhento feito ária wagneriana.
Todo respeito a todas as faces
da música do mundo.
E aos taxistas.
                           *
E onde entra Santa Bibiana na história?
Sei que hoje comemora-se o seu dia.
Que ela foi confinada a uma casa de mulheres dama
para perder-se,
mas resistiu à tentação...
e então foi chicoteada até morrer... em nome de Jesus...
lembrei dos travestis que mostram a bunda ao por-do-sol
em frente ao Sagrado Coração de Maria,
do moço a pedir colo
e eu ali, a rasgar o meu...


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