quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Sirene de 1900

Eu morava na areia, sereia
Me mudei para o sertão, sereia
Aprendi a namorar, sereia
Com um aperto de mão, ô sereiá...
Sete e sete são quatorze, sereia
Com mais sete, vinte e um, sereia
Tenho sete namorados, sereia
Mas só me caso com um, ô sereiá...
As estrelas no céu correm ( sereia )
Eu também quero correr ( sereia )
Elas correm atrás da Lua ( sereia )
E eu atrás do bem querer ( ô sereiá... )

Ciranda da Sereia *lá da Parabolé



os perigos do oceano
os perigos do céu
os perigos do espaço
os perigos invisíveis
o tempo volando
na asa das sereias pássaro..

os perigos do cerne
os perigos da inércia
os perigos do além
os perigos tangíveis
o tempo esfumando
na cauda das sereias peixe

sou aquilo que se riu de mim
estou em minha gruta
a espreita de uma cantiga mágica
nem dor, nem prata
só o marear das horas
na bruma das ninfas de corrente

sou aquilo que quebrou em mim
e por isso me ponho a prova
e aguardo, tesa, teu casco inclemente
nem som, nem brisa
só o fingir das horas
no fio das silfides castelãs
 
Narciso tritão adernou seu barco
e mira as águas
mais uma vez enamorado de si
é lógico o seu monólogo
seu canto plasmado de âncoras
e ancoradouros
 
eu é que me espanto
diante do meu nenhum arcabouço
estou morta
e não sabia
o projeto de musa que assinei
o lacre rompido
aos pedaços


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