segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Quando os passos soam mais que as palavras


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Tac tac tac tac tac.
O salto percutia moderato a laje umedecida.
O casaco, puido nos punhos e fino nos cotovelos
mal guardava o vento frio que se inflitrava malha adentro.
Tac tac tac tac tac tac.
O olhar refletia alguma perda resignada.
A mao direita segurava junto ao peito magro e de ossos marcados
um missal esbeicado.
De entrepaginas pendiam contas do rosario,
que balancavam
ao ritmo do tac tac tac tac tac tac tac.
Os labios anemicos murmuravam fina prece
Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador...
Tac tac tac tac tac tac tac tac.
Haveria de andar toda noite.
Para onde e lugar nenhum.
Tac tac tac. Estacou um instante, ajeitou a gola do casaco e tornou a caminhar,
uma lampada verde a brilhar ao fim da rua.
Em alguma janela uma espineta dedilhava lamentoso noturno,
executado tropego, porem sentido.
Tac tac tac. Sob a janela da espineta havia razao para tomar algum folego.

                                                 *

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