sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Balanço e horas mortas

Foto* post do facebook

Em 2012
Eu disponho da vida dos outros
e escrevo à sombra de Alphonsus de Guimarães.
Quem diria que Ismália voltaria para minha lida.
Os outros dispõem da minha vida.
E eu os tomo como afetos pessoais.
Ledo engano. Dormem embalados pelas ondas.
Eu entro em casas em que jamais pensei entrar.
Para cantar.
Eu declaro o meu mais profundo amor
a dois homens.
Que não vão me querer
o que era de se esperar.
Eu vejo minha vida esfarelar-se.
Eu não tenho para onde fugir.
Eu olho meus trabalhos e suspiro...
O moço, quando me viu
despedaçada pela calçada
ai pelas 23 horas,
perguntou se eu queria que ele chamasse alguém.
Santo Antonio, pensei,
chame Santo Antonio, o de Lisboa.
Em 2012 há coisas que não poderão ser consertadas.
O amor acabou as 15 e 37 de la tarde.
Reiteradas explosões solares alteraram equilíbrios naturais.
Gastei sete mil reais em dois PAs
e não sou eu a usá-los.
Ficamos sozinhos, tres cantantes insipientes e eu,
igualmente imatura,
sob luz azul, murmúrio de Deus,
em casa alheia,
diante da alegria alheia
numa solidão de endoidecer.
Eu coleciono cem fotos ou mais, de Porutgal
e seus confins.
Eu desisto e mergulho em profunda depressão.
E me levanto, para cantar Duerme Negrito
e eu nem sei por que,
se os filhos me escaparam dessa vida
e não há a quem acalantar...
Em 2012 eu só quero chorar.
Mas resta cantar
Oh Holly night, e eu poderia simplesmente dizer não...
Convivo com o empobrecimento cultural galopante
com desamor
desprezo
indiferença.
Tem algo de bom para contrapor ao outro prato de balança?
Vou ler Uberto Rohden.


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