segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Amor, flor, dor verde


*google images

Vim da noite imbuido de uma resignacao piedosa,
com o sabre nas maos.

Jaz morta,
estrebuchada,
a aranha do tamanho
da palma da mao
descoberta no banheiro
e que tratei de trespassar.

Na vitrola, soa o Stabat Mater,
um pedido de socorro mudo
no contracanto da trompa.

O amargor de seus venenos de aranha
veio inundando meus quintais
e varrendo as flores dos ultimos dias.
Laudate, Domine.

Devo ter saido a engraxar
madrugada adentro,
como fez o menino Zeze
no dia de Natal.

Devo ter saido em companhia dos catadores,
catando eu tambem os papeloes de luz mortica
espalhados pelas ruas.

Por encanto divino,
trajava ao despertar
o casaco de cetim cor-de-pessego
que a mae me presenteou no aniversario.
O toque leve do tecido umido
pediu-me novamente:
piedade...

Devo ter andado pelas charnecas sombrias,
pantanos lamacentos
pois sentia frio e umidade na pele
e o peso das minhas acoes duvidosas
dos suores que vivi...

A paisagem gaelica se descortinou
assim em minhas sensacoes
brumas de Avalon
os cavaleiros a morrer sob a espada da vinganca
homens fracos e ensimesmados,
inventados.
Ha que se nutrir piedade deles.

Guinevere a lutar no adulterio,
desgracada em sua cisao.
A corte ardeu em chamas.

Resta para o resto brusco
do dia que me obrigo a viver
nem sei de que jeito
a minha bancada,
a minha pena
a minha voz de bardo
as minhas bravatas de ex cavaleiro sangrento de araque
e o meu compromisso de consolar-me
e os papeis amarfanhados de lagrima e muco.
Miserere Domine.





Peguei a enxadinha, o regador
e la vou eu revolver a flor
O amor nao e um buque de porcelana
eu e que parti meu elmo.


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