sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Rito de passagem



AULA SOLO:
Depois de algumas semanas de “férias” por desencontros*, tive uma aula de Canto Solista onde o tempo mais do que nunca escapou de minhas mãos e voou. Hoje foi um dia chuvoso e a maioria dos meus amigos não pode aparecer na aula. Ficamos a Mestra e eu conversando sobre os mais diversos assuntos por horas. Falamos sobre nosso programa** e creio eu, conseguiremos entrar no ar em breve.
Reparei em coisas que demoraram em fazer sentido. Vocês sabiam que eu usava meu cabelo comprido como uma forma de escudo? Nunca tinha parado para pensar nisso, mas sempre me escondi das pessoas quando tinha vergonha ou medo através disso. Além de ser um poderoso artifício para chamar a atenção, para parecer diferente ou como acessório de artista. Quanta pretensão em se denominar com esse termo. E ainda conheço tantas pessoas que fazem isso com mais freqüência do que eu. 

 ****post do facebook

 Discutimos muito essa questão também: O EU. É importante se auto afirmar, ter uma identidade e saber onde é o seu maior potencial e seu ponto mais frágil. Participei de várias apresentações no Simpósio de Música*** e percebi que em cada momento era uma personagem diferente. Algumas delas não agradaram muita gente. Mas faz parte desse laboratório.
 Mostrei algumas composições minhas e contei a história de cada uma (se não costumo cantá-las normalmente, imagine contar o que eu estava pensando quando as fiz). Sempre achei as letras de minhas músicas “melosas”. Elas falam de amor, mas daquele amor romântico onde “meu bem eu te amo, eu te amo meu bem”. Mas não sei por que, sempre achei muito bonita essa idéia, e no fim fico meio inseguro de mostrar para amigos. Divertimos-nos muito com as histórias de cada uma delas e confesso que adorei a idéia de gravá-las. Não pude me conter em falar de supostos espelhos aos quais tenho vontade de chegar (refletindo depois parece-me um tipo de inveja benigna).
 Às vezes encontramos paredes das quais ficam difíceis atravessar. Isso na vida em geral. E hoje ouvi um dos maiores conselhos de todos. Tentem ver essas paredes como paredes, mas não feitas de concreto e sim de água e de água BEM gelada. Hoje pode ser difícil atravessar, mas você pode tentar amanhã de novo, e de novo, até conseguir seguir em frente ou ainda, pode existir caminhos que contornem essa parede, agora escolhê-los cabe a você.  
 Depois de horas entre todos os assuntos humanos e sobrenaturais possíveis, terminamos a conversa falando sobre educação. Trocamos idéias sobre aulas e métodos de ensino. Contei sobre as minhas doces crianças aprendizes de violão. Divirto-me muito com elas. Pensando em tudo isso, acabei me perguntando no caminho de volta para casa: Será que o menino realmente está crescendo e nem percebeu? 


* Em funcao das atividades academicas da escola, simposio, congresso, as aulas curriculares ficam suspensas. Nao podemos contar as atividades como ensino, entao vira uma roleta russa. Detesto esse sistema e nao tenho aliados para propor mudancas. Penso muitas vezes em encurtar a linha por conta disso...
** Trata-se do projeto Ciclorama, o programa piloto. Ate agora nao obtive nem sim nem nao da IES. Talvez organizemos um blog...
***Oitavo Simposio de Musica da FAP.

Entao, era quinta-feira, 11 de outubro de 12, e eu me dei nota 6,0 numa das disciplinas. 4,5 em outra, 7,0, 7,5, 7,0. Um dos projetos durou um ano, 15 temas esbocados, duas apresentacoes publicas. 
Estou sendo rigida na minha avaliacao. 
Enfim, foi um ano esquisito. 
E ainda nao acabou. 
Ando pensando reiteradamente em outra ocupacao. 
Ser rendeira de flor.
Nao tenho criancas com as quais me divirta. 
Tudo anda meio enevoado. 
Nao chega a ser vazio, deprimido. 
E triste mesmo. 
Tenho que refletir mais sobre a falta que me faz alguma coisa que nem sei nomimar. 
Aguardo o chamado do Rei.
De alguma forma, ando preparada para que todas as historias terminem.
Sem dor ou arrependimento.
E para que finalmente me venha a trama para o livro.
As vezes penso em salvar tudo o que se registrou aqui, 
mas o que se tornou publico entrou no tunel, ha que seguir caminho. 
Nao sei se ha um limite para o uso das palavras por cada humano. 
Espero que nao.
Medos inuteis, de cegueira, de mudez, surdez, imobilidade. 
Bobagem.
Cortei meu cabelo tambem, cobri bem os brancos, ajeitei os pelos do rosto, faltou fazer as unhas.
Gostei do resultado.
Penso que o corte de cabelo do Phil foi mesmo um rito de passagem. 
Que eu nao sei se a FAP mereceu presenciar. Mas foi la que o guri resolveu agir.
 Alguns dos meninos seguem de cabelo longo por anos ainda...
eu ja vi tanta gente partir... vinte e quatro vezes... 
isso ta pesando... 
vou respeitar minha distemia. 
Vou discursar na frente do mar, como fazia Demostenes,
mesmo perdendo o feedback... 
vou tratar de ser feliz.



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