sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Primeiro paragrafo

A pena debrucada sobre a tez
balouca o vento frio,
visitante de claraboia.
Os cachos de George
escapam a fronha,
seu rosto palido
me fita a dormir.
Ha restos da broa sob a mesa
e o molho resseca na porcelana.
Bebo o ultimo gole de cha,
o cuco pia,
as gotas congelam
no parapeito.
Olho, num  perder a vista,
a charneca umida
e o vulto de Cathy me sauda.
Os pinheiros ecoam
na manha nascente.
Sao horas.
A folha branca
quer as dores
que teimo
em moldar no interior da chavena.
Uma fina restia se imiscui
na alcova
e o tapete rescende
a labrador.
Ha uma mancha na toga
e suor nas camisas
abandonadas no piso.
A navalha convida
a pia de agua tepida.
Meu rosto contorcido
se desata,
o espelho o recebe
taciturno.
Que ha de novo pelo reino,
gentil George?
Dorme, dorme
que o arauto nao tarda.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

formosa rosa

                                                                             * do jardim da Thais Formosa Rosa brasileira um ci...