sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Olhos finais


* de Phelipe Tisoni

Ontem eu toquei um joelho, Phil. Um curioso e magro joelho,
a principio meu toque nem o entendeu. Cheguei a usar as pontas
dos meus cinco dedos, para confirmar a cupula, as laterais. Minha
mao chegou a perguntar ao joelho: que forma e essa? Que toque e esse que estou sentindo?
Desejei que o pano da calca saisse, sem perceber fiz mencao de o afastar.
O joelho e dono da lua, Phil.
A prata lunar chegou a minha imaginacao tem um tempo,
e desde entao tenho estado triste.
Digo imaginacao porque sempre pensei que se fosse amor
nao era pra doer assim, mesmo nao me querendo tocar, o joelho.
Outra particularidade que ja percebi pelo toque e a musculatura da perna desse joelho, sem tonus.
Lembro que quando a toquei, e foi em outra ocasiao, igualmente estranhei,
como e que uma perna de dono da lua e assim tao sem o que...
tao sem... tensao.
Nao pude fazer mais do que tocar o joelho.
Queria ir, tateando tudo, primeiro em direcao a cabeca.
Agrada-me sobremaneira o contorno do rosto,
uma barba que forca imaginar um Rei, um rei ingles, da epoca do Arthur.
Agrada-me o cabelo na altura dos ombros, devem ser macios.
Agradam-me demais os labios. Tentei roubar dali um beijo e pena,
envergonhei-me, retrai-me e desde entao e um sofrer cada vez
que a boca se aproxima...
Tocar a gente devia aprender o tempo todo.
Ontem eu tambem tive vontade de te tocar. De saber se estava tudo bem. Nao suporto imaginar que a coisa que te fere os olhos doi... so de pensar nisso, sinto igualmente dor, e cansaco, e isso nao te ajuda em nada.
Estou aprendendo a tocar pelas palavras, pela voz e, se Deus permitir, vou ainda tocar por telepatia.
Quero tocar o teu rosto, quero tocar os teus olhos.
Obrigada por tua existencia Phil!


Nenhum comentário:

Postar um comentário

formosa rosa

                                                                             * do jardim da Thais Formosa Rosa brasileira um ci...