sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Horizonte reto

* Vila Nova de Foz de Coa

O horizonte reto faz-me pensar
nos pressagios.
Que e curiosa a passagem pelo orbe.
O que se pode querer por aqui?
O colo quente de uma mae primeiro
seu seio acolhedor
olhar terno
proximidade
seu amor
Depois a firmeza de um pai
Sua experiencia e visao
O joelho do avo
a docura da avo
os brincos de crianca
a caixa de areia
os livros e os lapis-de-cor
depois a chita rodada
a fita no cabelo
a boneca de porcelana
que senta em minha cama e fica.
Depois e o coracao, que carece visita.
E seria tao bom
se tivessemos dominio sobre os sobressaltos
os assaltos
as ilusoes
e os desejos, ah, tais desejos
de rilhar os dentes.
Os instintos
de posse
as insegurancas da adultez
tudo se mistura
e faz vulcao
e genero.
Tudo parece arido
depois de tanta pena
e tanta docura tambem
que o canto me deu docura
poesia.
E um tempo novo chega.
Em que a sabedoria anunciaria
dias claros, leves.
Ainda a servidao
ainda um desejo estranho
de colo
misturado a um cheiro
de turbilhao.
As perguntas se amontoam,
as fichas confundem-se na escrivaninha,
mais de setecentas paginas de rever.
Todos os passos intelectuais
todas as propostas academicas
parecem obscenas
e eu me canso
diante dos colegas, do perito.
Escuto por dentro a sonata ao luar...
E sinto que o caminho se fez
horizonte reto.
Temo aquilo que falta.
Sinto falta do encontro de Tagore.
E sobre  os pressagios?
Escuridao ou luz
escuridao e luz
tudo e complemento.
No ceu figuram a Lua
e os aneis de Saturno.
E isso sao vilanias.
A felicidade mesmo
esta na marola
dourada do rio que nao vi
mas posso tocar,
"malhas que o imperio tece...


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