segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Estorias de confins

 






* Caria, proxima a Belmonte, Portugal
 
«Diz-se que na famosa Casa da Torre terá habitado uma família moura. A filha apaixonou-se por um jardineiro. Os pais, que não aprovavam o namoro, resolveram mandá-la para um monte longínquo, onde dormia numa toca e de onde só voltava ao fim-de-semana. Dizem que a moura longe do seu apaixonado só chorava e quando voltava para perto deste só ria. Assim, quando estava lá chorava e quando estava “cá ria”».


Pequenas lendas da Poranduba catarinense


A cigarra
(Ilha)
"Diz o nosso povo que a cigarra é um animalzinho amaldiçoado, pois carrega com tremenda praga. Aconteceu que estando a mãe dela gravemente doente e desacompanhada, mandou-lhe um recado para que viesse fazer-lhe companhia e servir-lhe de enfemeira. A cigarra, muito foliona que era, não se condoeu da pobre senhora e mandou dizer-lhe que não podia atendê-la, pois estava comprometida a cantar num baile. A mãe, diante da desumana resposta da filha ingrata, ajoelhou-se, pôs-se de os olhos no céu e rogou-lhe terrível praga: "Deus permita que arrebentes de tanto cantar!" E é por isso que a cigarra tanto se estofa no canto que acaba rebentando pelas costas."

Artes de Branca Flor

" Havia um moço que gostava muito de jogar. Aos conselhos dos mais velhos, costumava dizer que perdia apenas o seu dinheiro e que isto não é muita coisa.

- Perde mais - dizia-lhe o velho pai. - Perde dinheiro, noites de sono, o tempo, a vergonha. E um dia perderá a alma.

O moço ria e continuava freqüentando as casas de jogo todas as noites.

Um dia, depois de ter perdido tudo, ao jogar com um sombrio parceiro mal-encarado, não tendo mais o que jogar, ouviu espantado esta proposta:

- Se quiser continuar, eu caso mil escudos com a sua sombra.

- Com o quê?

- Com a sua sombra.

O moço pensou por um momento.

- Ora! A minha sombra não me fará grande falta. Até hoje não me serviu de nada.

Jogou e perdeu."




Adivinha

 "Não come mas tem dente, / Tem barba e não é gente"


  "Na esquina, defronte, dona Chicota e as irmãs, doceiras profissionais, a grosso e a retalho. Logo de manhã, soltavam na rua mais de vinte moleques com os tabuleiros. O próprio ar adocicava com os pregões e o cheiro das cocadas e alfenins..." Cocada e alfenim, por Mauro Mota.

Criolo, o coqueiro balancou, caiu o coco
oi o coco meu sinho


Boto, Amazonas


 O boto é um rapaz belo, de andar desajeitado e que usa roupas, chápeu e sapatos brancos, cobre parte do rosto e tem um buraco no alto da cabeça. O boto, segundo a lenda,costuma aparecer nas festas ou à beira de trapiches. Gosta de moças ingênuas, de preferência virgem ou menstruada, é um sujeito caladão e sinistro que tem o poder de encantar as moças novas, que ao primeiro olhar se apaixonam. Depois de conseguir o que quer, o boto corre e mergulha no rio ou igarapé. Muitas meninas do interior que engravidam se aproveitam da lenda e atribuem sua gravidez ao boto.

 

 

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