quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Fluxo e coragem

Ismália
Alphonsus de Guimaraens

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...


*achei essas imagens clicando ismalia. 

Eis um poema que sempre me surpreende, especialmente quando tenho de enfrentar a mim e os meus desvarios... pensara consolar-me ao reler tal joia. Daqui a pouco e mais um dia, mais uma aurora... nao ha que se morrer por amor. Tampouco enfraquecer as fibras, arrefecer, suspirosa. Nao ha o que argumentar. As coisas sao como sao. Ha que erguer a fronte e seguir, firme na confluencia da prova. Se o amor sao cismas, eis-me entregue, diante da janela, pura conspiracao para me deflagrar ruinas. E isso eu nao posso dar-me. Eu tenho e de dar-me a beleza dos Avatares, o passeio entre mundos, o sonho com cidades longinquas, pedacos de mim.
Dia desses sera um suspirar por Paris. A grande cidade glamurosa, para a qual eu so iria usando salto 15, Coco Chanel e estando muito, muito, muito magra. E nos espelhos de Paris que risco de batom meus mais serenos versos. Nao, nao vou enlouquer. Vou seguir meu caminho. Boa sorte. Adeus, ja e de madrugada. Vou-me, ao rumor da batucada. Para mim e Carnaval. Adeus. Adeus.

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