segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ciranda de segunda invernada


*google images

Manhã de segunda, sul do Brasil,
inverno cavernoso,
sol focado em Júpiter.
Voltei para a Terra, do sono, estranhada.
Demorou algum tempo, segundos, milênios,
para que eu entendesse que horas, que dia, que lugar...
pareceu-me que onde estivera era melhor...
mais justo, suave, acolhedor...
Estou de volta ao meu dia
à minha quaresma,
ao meu contentamento temporal,
ao carro cheio de guitarras,
cabos P10, chimbal e coisa e tal...
Daqui a pouco encontro o Rei novamente,
para embalar-me no fundo daqueles olhos brilhantes
e azuis...
Espero encontrar, na dimensão das vibrações dos sons,
a tranquilidade da compreensão.
Eu ainda nâo deitei na calçada fria,
ainda não me caiu o lençol sobre o rosto.
Estou no orbe, estou cansada, eu sei, mas estou bem.
Minha loucura, estimado Rei,
é minha criatividade, e essa não dorme.
Minha loucura, caríssimo Rei,
é o meu amor, esse confuso, espalhafato e faminto.
Minha doçura, venerado Rei,
é o meu coração, e coração a gente não dá,
tem abrigo para o meu Rei, em dia de batalha,
se Ele quiser.

Nao posso deixar de chamar-te, terno cavalheiro de outra nau,
My Lord.
Careço entender que o porto seguro sou Eu.
E que há em mim os reis, os lords, os carcamanos,
os todos que me pudessem fazer
com que a Terra estivera quente e simples
em sua complexidade quase voraz.
Eu é que sei o que é estar diante de liames intransponíveis
e com suporte intelectivo suspenso.
Eu é que sei a bandalha de fios emaranhados
a tumultuar minhas emoções,
causando explosões e ais.
Eu é que sei a clareza das curas
dos dez caminhos de ajuda propostos por Buda
reiterados por Jesus
referendados em batuques de Iansã.
A Iyabassê já preparou o acarajé.
A Iyabassê já preparou o abadô.
Cabe a mim preparar o caminho do gaudério
para o seu aporte em Coré,
que o tempo do reclame de café já passou...
Meu coração, aos pedaços
vira três, quatro, dez corações a pulsar.
A música é voz dos homens.
Querido Deus, a musica da Terra é a voz dos homens.
Fim.

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