terça-feira, 10 de julho de 2012

Chuva e meteoros nos ceus ensolarados do inverno curitibano

As vezes os dias sao como pegar carona em cauda de cometa.
De um bom zoom do outro vem a possibilidade de contar uma pagina inteira de voo,
sem tirar os pes do chao. Fui a Paris, depois a Sampa, entao fui a uma galaxia distante, embalada em seu sorriso folgazao de ultima hora, trinta e um graus em aurora distante. Pensei nos programas de campanha, nos jingles, nas belas imagens de feitos quase heroicos de tao pueris, nas calcadas mal feitas, inviaveis, nas vias publicas brilhantes de tao pintadas, cujo asfalto se desfaz no mesmo dia. Pensei na argumentacao usada, tudo para que alguem aperte botoes em outubro e decida o futuro de sua cidade parisiense. Pensei que isso rende royalts, que se compra um excelente carro a vista, quica a bela casa da lista. Despedida em grande estilo, com um hall de mulheres virtuais acenando seus lencos chorosos, adeus, adeus, adeus... e eu ali, chorando tambem adeus adeus adeus... Pensei em como uma posicao ambigua pode servir numa discussao, em como cada um pode interpretar a seu modo uma interjeicao e ganhar com isso mais um dia. Sinto que cumpri meu dever cotidiano com coisas tao banais que ando sem casaco pela casa sem calefacao e o frio ja nao me corrompe. Ando pelas ruas em meu veiculo empoeirado e velho e a tarde escorre, feliz. As nuvens no ceu desenham veus de noivas volateis, abandonados no azul brigadeiro. Lindo valsar das tramas tao ralas, tao ralas, tao ralas... O fantasmatico Dalton Trevisan, considerado em Portugal o maior contista vivo brasileiro, continua a inspirar-me em voleios vocais. Eu olho a cidade magnetizada pelos gaseodutos e sorrio. Eu sou a cidade que sorri.  E entao lembro, la vou eu, em mais um voo de cometa, para a nebulosa onde vive o Lancelot, passar uma tarde em nuvens, longe do sol, em nevoas de cigarro alheio. Eis-me pois disposta, no novo dia que sorri, ensolarado, estamos melhores que Paris, a desdizer os mal ditos e saudar mais uma vez a lingua dos bem intensionados, que parlare di niente e coisa seria, ja cantei a balada ha muitos anos, quando a vida era uma mentira.

As vezes os dias sao como pegar carona numa cauda de cometa.
De um bom zoom do outro vem a possibilidade de contar uma pagina interia de voo, sem tirar os pes do chao. A baixada ja tem ares de vitoria, as vias publicas da regiao sofreram sutil maquiamento, a iluminacao publica vibra brancos e ambar combinados, e possivel converter a esquerda, da Basilio Itibere a Brigadeiro Franco e sorrir com sutil boniteza. Cristovao Tezza me toma pela mao e me mostra a cidade banguela com seus revestimentos anti po, seus lacos de fita e alamedas muito limpas, por onde trafego meu carrinho abatido e marcado de arranhoes. Fiquei em frente ao fogao varias vezes, testando uma pidada disso, uma daquilo, pingo disso, pingo daquilo, num silencio respeitoso diante da cacarolinha fumegante. Imaginava, ao aspirar os efluvios da massa assada, ao suspirar diante do aroma de cravo e mandarino, seu sorriso diante da minha ingenua tentativa de enfeiticamento. E voce sorriu. Tu sorristes, como gostaria mesmo de escrever. Santa Clara e Santa Maria de Magdala estavam presentes a mesa, ouvindo os cantos de amor tao delicadamente dispostos. Francisco baloucava os sinos de vento avisando de sua chegada brusca, no uivo da noite a nos arrepiar as canelas. Tive desejos de que as mordidas provocassem os calores das codornices ao molho de rosas, como em Como agua para chocolate, eu, lunatica das pedras, apaixonada em extremo por tal chevalier de la table ronde que meus fluidos pareciam asas a me dar voz na bruma leve, na noite fria da cidade coitadinha, loura fantasma das 22h. Quando a vida se despede da mentira.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

formosa rosa

                                                                             * do jardim da Thais Formosa Rosa brasileira um ci...