segunda-feira, 18 de junho de 2012

Madrugada, céu carrancudo, é outono e estamos todos bem



 

Quem não viu va ver, acredito se encontre em DVD, o filme "Estamos todos bem". Quis demais cantar odes amorosas nessa noite do domingo que escorreu por entre os dedos, mas é por demais perigoso, às vezes cantar amor soa presunçoso, egoista. Estava dizendo poemas e palavras de bem online... estranho processo, o quereres... quem não ouviu ouça, o Quereres, de Caetano Veloso

O Quereres

Caetano Veloso

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock?n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim

O que posso dizer? Que te amo, que tu és um brilho na amplidão e que meu peito jaz, dilacerado, a cada menção de não... não posso dizer nada.
Nesse interim, chegou um texto jazz, do meu menino doce feito algodoeiro. Canta meu menino, canta, que pior é não cantar ou fechar-se na sombra de tal cantina enregelada e solitária!!!

Saudades do Arnaldo e seu belo porte!!!

Saudades do Vicente...


CANTINA:
Estava com saudades de contar um pouco sobre nossas experiências. Nessa semana, devido a problemas técnicos, fizemos a aula na cantina. Ficamos num cantinho bem familiar para mim, passei alguns anos tocando violão naquele lugar.  Começamos com algumas discussões sobre como “tocar o coração” de uma pessoa cantando. Notamos que alguns amigos possuem esse poder e realmente é algo fascinante.
 Com o passar do tempo, foi anoitecendo e o ambiente foi ficando um pouco escuro. Cantei algumas canções e talvez por causa do frio, acho que estávamos um pouco sem assunto. Comentamos também sobre a facilidade que algumas pessoas têm em mudar de estilo musical, como é o caso da interprete Cassia Eller.
Falamos de alguns vícios como drogas, cigarros e bebidas. E quase sem perceber, acabei contando a história do meu avô, que inclusive, tocava violão e era o dono oficial do meu violão vermelho. Cantei mais algumas musicas e acabei me empolgando com esses assuntos e decidi ir alem. Subi no palco e tentei comprar a idéia da Cassia Eller... Tentar cantar vários estilos diferentes do meu. No começo foi engraçado eu acho, mas foi divertido. No palco, acho que me empolguei de novo e comecei e emendar todas as músicas que eu lembrava que começavam em Sol Maior. Quando dei conta já tinha cantado umas cinco músicas seguidas.
Alguns amigos estavam ouvindo-me cantar na nossa aula na cantina, e começaram a cantar junto. Convidei um deles para me acompanhar e formamos nossa banda de dois. Esse amigo também cantou e usamos algumas músicas que estamos ensaiando para um projeto de extensão. Acabamos mostrando um pouco do nosso trabalho e interpretando de maneira um tanto quanto cômica, o nosso repertório.
Acabou a aula e eu senti um sentimento estranho de que irei sentir muita falta da faculdade quando me formar. Um sentimento de imensa alegria e grande saudade. Talvez algum bichinho tenha me mordido como a professora comentou, para me fazer gostar tanto daquele lugar. Chegando em casa, senti um remorso estranho também. Senti-me um tanto egoísta por ter usado a aula toda cantando, meus amigos ficaram apenas vendo e não participaram. Não tinha a intenção de me aparecer, mas me senti egocêntrico sem querer. Aos meus caros colegas e a minha grande mestra... Minhas sinceras desculpas. Acho que exagerei.
Mas dormi feliz, com a frase “pela primeira vez, escuto você cantar uma música sem se parecer com alguém”. Talvez esteja começando a encontrar o caminho da minha voz.


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