domingo, 3 de junho de 2012

De tão zaranza


 *google images

Estou apostando em algumas opções para as próximas horas: entregar-me ao divã, onde de alguma forma recarrego a profunda baixa energética que me toma às vezes o dia. Este é o primeiro passo... é como se eu cintilasse com o chumbo da tarde, com as gotas de chuva a me molhar o chapéu de praia... sai de chapéu de praia hoje, e ele me abrigou um pouco e deu um toque de humor ao contexto da ação. Adquirir a tal ampulheta de uma hora, que venho querendo, e observar o tempo que ganho e perco seria a segunda possibilidade. Tempo, tempo, tempo, tempo... Uma querida recomendou "O malefício da mariposa", ainda em cartaz em Curitiba, mas há tempos só vou sozinha - e querendo estar só e ir - ao supermercado e ao trabalho, ou seja, é um mundo limitadito o que venho percorrendo... tomar meu carrinho velho e baixar o mar é a terceira esparrela. Ficaria la, nua diante e dentro das aguas, na estranheza do meio e do escuro, ouvindo os ir e vir da mare e o casulo do frio cortante... arranjar urgentemente uma novidade em minha lida profissional seria a quarta parte do surto. Hoje vi um 2013 diferente, renovado, revigorado em ações, em aplicativos para smartphone, com conexão para tablets. Por que tão longe? Porque dar tempo ao tempo é a quinta sensação. É preciso ter paciência. Lapidar as procuras. Abrir mensagens sem esperar milagres, nada cai do céu mano, não adianta posar de semideus, é o sexto desnudamento. Fiquei tão desiludida diante do alerta, como menina que perde seu primeiro amor, que fui a quase zero em energia... lançar um hit parade no Palácio, o terceiro - que dois palacianos já tem o seu, seria a sétima inclinação... eu iria desfilando na noite que dorme novas soluções, novas pistas, brainstorms, como quem reza rosários a esmo. A força da juventude... cento e cinquenta anos... alguém endoidou ou fui eu que me perdi de mim... Meu vizinho da Currier barulhenta ja chegou, e são 21e44 - ele costuma aportar às duas da manhã, em escarcéu. As festas de familia já terminaram e as minhas dores de cotovelo, minha vizinha trocou seu carro branco por um vermelho, novinho, a outra alisou seu pixaim... A carta marítima, sempre exposta sobre a mesa, me convida a dizer. E eu disse: me leva contigo. Com um embargo na voz que até eu estremeci. Nem que seja para me deixar/abandonar em Lisboa... A carta me convida a olhar. E eu olhei, sem demora, para não corar diante do ouro que o recobria, para esse eu diria: me leva ao cinema, comer pipoca, me convida prum jantar... Me incita, a carta,  a tecer esperas. Pensamentos para mim são esperas e talvez isso não se encaixe ao perfil da Noergologia. Sabotagens às opções que alterno não me faltam. Teimosias, menos. Não sei, não tenho mesmo! o perfil de garota mimada. Não sei o que me da. Fico fazendo manha e choromingando as coisinhas que quero e dizem, minha mãe dava... tadinha... o encontro com meu avo materno nesse domingo me deixou saudade, reticências e medo... Não deveria ser assim. Eu deveria ter instalado meu cilindro azul. E não me perturbar mais com nada... o tema de Taizè, tão bonito... eu estaria protegida, contra assaltos, sobressaltos, surpresas. Que mais quereria dizer? Logo mais troco elucubrações sobre regulamentos por gravar, de surpresa, uma canção folclórica portuguesa. Uma semana profícua se descortina. Com luzes, sombras, encontros e despedidas. Se eu não anotar, me perco no emaranhado de quefazeres.  As roupas balouçam no varal, com o vento de chuva... status, mudanças, novas posturas diante dos outros, novos personagens a desfilar, novos raciocínios, novas frases, como quer meu aluno genio, que não me mandou seu texto... desculpem-me se o conto saiu zaranza...

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