quarta-feira, 6 de junho de 2012

Consequência de muita chuva

 
*google images

Estou lidando com papéis e planilhas e lattes desde as 3 da manha, sem muito sucesso. E resolvi tomar algumas notas, mesmo que confusas, agora as 7e23. Depois vou tentar repousar, pois cantarei logo mais na EMBAP, com o Terra Sonora, ali na Francisco Torres 257, entrada franca, três sessões a partir das 18e30.

Fiquei intrigada com a fala de um encontro com alunos de oficina de música ontem. Acabamos o discurso dizendo sentirmo-nos estrangeiros em nossa cidade. Dois de nós usufruem o estigma da esquisitice, outros dois controlam a ansiedade - e certamente a depressão e a bipolaridade e a ambiguidade e o narcisismo, e um põe a boca no trombone. Observamos o ensino conservatorial em que estamos metidos, enfrentamos os próprios melindres e os dos demais - que se furtaram desse encontro. Lidamos com a aparente indiferença, descrédito, hostilidade a novidade e dificuldade em expressar nossas motivações no fazer musical e em nossas vidas. Ao todo, ESTAMOS TODOS BEM. Música fica mesmo parceira da cura e do entretenimento aqui na Terra, visto que uns de nós a praticam para não enlouquecer e outros para dançar, o que no fundo dá no mesmo. Éramos quatro em sala, jovens nascidos aqui em Curitiba. Vivendo em bairros, aos pares ou isolados, ou formando guetos no meio acadêmico. Enquanto isso, as salas dos colegas conservadores estão mais fartas, pois oferecem kitchs básicos de sobrevivência e pouco refletir. Os fóruns de musica paranaense são fecundos, a noite é minimamente mas badalada, pelo menos até as 24h - se isso é regra em Veneza, por que não seria aqui na cidade chorosa, que chove há mais de 48h, os músicos daqui tocam bem, isso é o que se diz... os hospitais carecem de músicos que curam e as composições das gentes daqui, como vão? O que expressamos que nos torna relevantes para o cenário nacional?
Então encontrei uma crítica aberta a Albert Camus, um escritor argelino morador de bairro pobre, aculturado na França.

 “- Sou suspeito para os nacionalistas dos dois lados.  Para uns, meu erro é não ser suficientemente patriota.  Para os outros, sou patriota demais.  Não amo a Argélia à maneira de um militar ou de um colono.  Mas será que posso amá-la de outro modo que não como francês?  O que muitos árabes não compreendem é que a amo como um francês que ama os árabes e deseja que, na Argélia, eles estejam em sua terra sem que por isso ele mesmo se sinta estrangeiro.” Camus

Liminaridade, a palavra usada pelo crítico - sujeito cultural em trânsito. O eu operário a observar as praias  a cada esquina de Argel. O conforto da natureza contraposto à disciplina do essencial no cotidiano. Neofranceses que se entusiasmam ou se abatem muito depressa. A xenofiobia próxima à solidariedade. Como ser frances sendo africano. Francaouis. Argelinos colonizados. Estrangeiros do pais colonizador. Coloured. Funções não convergentes na colônia. Pied Noir. Provinciano. Homem de Fronteira. Membro de uma minoria. 

" é através da educação que a herança social de um povo é legada às gerações futuras e inscrita na história” (MUNANGA,1988: 23) 

Preeminência sobre os autóctones. Quem domina, domina economicamente, politicamente, espiritualmente. Pilhagem da sociedade dominada.


Estou fazendo um paralelo entre a obra de Camus e nosso sentimento de curitibanos deslocados, em trânsito, bom de discutir com Marcelo Tas. 

Marcelo Tas e CQC 3.0. 

Fui olhar um pouco na madrugada de segunda para terça. 
Fiquei doida. 
Nao alcanço. 
Para mim é fraco, inconsistente. Besteirol de péssima categoria. Pena, gosto do Marcelo mesmo assim...O que poderíamos conversar naquele caldo tão confuso quanto minhas frases à chuva. 

Aqui a conversa abriria ao macro Brasilis, à falta de milho, mandioca e amendoim para as festas juninas. 
Já corre o mes de junho. Seca. Chuva. Contrastes. Expressões controversas, banalização das mídias, aplicativos cada vez mais sofisticados, gente tendo sucesso aos vinte e cinco anos por conta disso. Dificuldade em reunir para aprender, para divulgar conhecimento. Fica então esse link entre identidade, curitibanos, chuva, seca,  guetos, estrangeiros, O Estrangeiro e o africano Camus... depois falo mais, to arrasada de frio, fome e sono.

Para ler:




CAMUS,  Albert. A morte feliz. Rio de Janeiro: Record, 1971
______. A inteligência e o cadafalso.  Rio de janeiro: Record, 1998.
______. A queda.  Rio de janeiro: Record, s/d.
______. Diário de viagem. Rio de Janeiro: Record, 1997.
______. O avesso e o direito. Rio de Janeiro: Record, 1999.
______. O exílio e o reino. Rio de Janeiro: Record, s/d.
______. O homem revoltado. Rio de Janeiro: Record, 1999.
______. O primeiro homem. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994.

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