quinta-feira, 31 de maio de 2012

Onde ele estava nesse olhar





Hoje surpreendi-me com um album de fotos no facebook.
Uma foto da menina que fui em 1978,
recordação junto às minhas primas.
Na época, eu vestia jeans 36,
aqueles cabelinhos "você parece que não sei"
aqueles bracinhos
uns 57 quilos...
Eu era uma garota aluada na época.
Eu não enxergava essa guria que eu fui,
eu nao sabia nada de mim...
Eu vivia três vidas na época:
- a da escola, embaixo da minha camisa de colégio
eu escondida na biblioteca, eu cantora do coro;
- a da casa do meu pai, encolhida no quartinho dos fundos
abraçada com minha caixa de livros;
- e a mocinha do fim de semana
que as primas punham de molho
arrumavam as unhas
punham bobe
passavam colonia
matavam a fome...
À noite, nos fins de semana, a mocinha brincava nos saraus da Rua Acre, sempre esperando
sempre esperando o amor romântico que não veio...

Encontrei também uma linda foto do avo materno,
um espírito amigo em a Terra.
Eu ia à casa que era dele nos fins de semana
e ele nos visita na casa de meu pai,
aos domingos pela manhã.
Meu pai acredita que meu avo, o pai de minha mãe, vinha nos visitar por ele
(minha mãe já morava em outro plano...),
pela vida dele, pelo que meu pai era, pelos trunfos dele,
que meu pai é todo assim
afeito as próprias causas.
Meu coração diz que meu avo vinha pelos netos.
Meu avo era tão interessante
que é padrinho do meu irmão,
filho da minha primeira madrasta...
Meu avô nos visitava para se certificar de que haveria futuro para nós, os netos,
era para isso que ele ia à casa do meu pai.
Meu avô andava indo embora para o portal Bom Retiro (posto socorrista, a exemplo de Nosso Lar - que se situa sobre o Rio de Janeiro), para encontrar com a Dona Cecy,
saida da Terra havia dez anos...
Talvez meu avô nos viesse  ver, ao meu irmão e a mim, a pedido de minha avó materna,
para garantir-nos que a vida nessa Terra não era vã.
Esse é o avô do amor que guardo em meu peito, livre de qualquer desautorização.
O avô do colo. O avô do silêncio, da paciência, da perseverança, da sabedoria.
Eu ouço a mim pedindo: colo vô...
O avô presente, como espirito de luz.
Ele não dizia nada.
E tudo estava bem dito.
E quando sua voz grave soava...
Quando meu avô se foi
quase que perdi meu futuro,
e perdi de vez a menina que nunca conheci...

Ao olhar essas fotos,
para esse olhar de futuro
de passado, de qualquer época...
Tomara meu avô esteja bem, ao lado dos seus
aguardando a minha chegada...









Um comentário:

  1. Decio Klemtz Barbosa31 de maio de 2012 20:26

    Prima, ler tudo que escreveu faz-me voltar ao passado e relembrar várias passagens ali na Rua Acre, minha infância foi muito presente neste endereço, o Vô era uma pessoa incomparável, com certeza já reservou nosso lugar ao lado dele e de todos que já não estão conosco...meu Pai deve estar muito feliz lá em cima, ao lado de seu pai querido....bjus prima

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