segunda-feira, 30 de abril de 2012

Cronica cotidiana quatrocentos e tantos...

A ordem do dia,
espremida entre domingo e 1 de maio,
é trabalhar e mexer-se.
É saber que tudo, absolutamente tudo
é ritmo, é combinação de coisas
é musica e movimento e vida enfim
tudo é vibração em pleno desenvolvimento.

Vários detalhes:
a -  descobrir como afinar e manter afinados os instrumentos
durante o serão... seguir o exemplo dos músicos do Madredeus...
enquanto o público se derrete de amor
a bater palmas
as melodias se cruzam
casando timbres e frequencias...
Inda mais que a massa de combinações é de corda dedilhada
uma teia de renda em nossas mãos...
Algo de triste...
em tudo existe
o tempo, a hora, o desastre o silêncio.
b -  dar sustentação a um tema musical impresso em vidro...
Trabalhamos
em musica
no amago da ilusão.
Somos feitores de fantasias
se assim o quisermos.
E eu certamente me iludo agora, me embrenho
em matas intrincadas
e vou dar em território de outro rei...
ah, meu irmão...

c -  ver como reagiremos a duzentos celulares despertando simultâneos.
Não consigo dar atenção a outro projeto que não esse
das teias... o sonho de um Madredeus brasileiro...
Ai Deus os espaços para fazer as coisas a brasileira...
a portuguesa
a espanhola
a italiana
a polonesa...

Ai que saudade desse ser que não é meu
que desligou celulares, home pages, web sites...
que voltou as costas...
Como chegar em tal coração certamente quebrado
que é assim que te sinto ai no teu silêncio
destroçado...
Volta para ca, para o outono
para o dedilhado
para a dissonância,
para a possibilidade do novo...

 Esse negócio de querer amar e ser amado
seu Alberto
e um negócio complicado...
que dizer da tua palestra Como lidar com conflitos...
Eu iria ate Belém pra ter uma tertúlia contigo,
juro...
Tem horas que isso de relacionar-se
(e isso é tarefa cotidiana,
fazer o que...)
parece uma grande dádiva
um grande e distante merecimento
vetado
(porque fomos meninos muito maus
que merecem amargar
na solidão
sem reclamar...)
mal sei eu que esse conflito
é por demais construtivo,
né não, Alberto?
Mas ai vem meu oficio, pa
e me revela, as vezes na voz de outrem
que tudo e tão mais amplo
e largo
e há tanto que pensar...
O cotidiano pode ser assim:
fechadas as cortinas
o ar frio em volta
e parece que chove.
Uma fresta de janela
e lá está o sol outonal
desmaiado sobre os quintais...
Ai Deus fazei-me airoso...
para que eu me misture ao som
e vá dar farol a outras naus...




Nenhum comentário:

Postar um comentário

verso bordado

Lá fora a luz do dia, baça. Tu me disseste qualquer desafeto, verso E foste embora sem adjetivo que se interpusesse. Eu, às...