quinta-feira, 15 de março de 2012

Obrigada

Das coisas mais bonitas que podiam acontecer, tenho que mencionar a possibilidade de ler O meu pé de laranja lima, um trecho por semana, sem amarras ou esperança de surgir a grande voz melodiosa, que tocasse o coração das gentes. Porém, o desejo é esse: começar tocando o coração do grupo. Que eles percebam o poder de cura da história, do acalanto, da canção de brincar, da canção de encantar. Que o grupo perceba a importância de praticar no solo, que sintam como é interessante deitar no chão feito estrelas, abertos, descobertos e já ao dobrar os joelhos experimentar o poder de proteger-se, acionar os foles respiratórios, concentrar energia no plexo solar. Aprender a valorizar os sons mais simples produzidos, a direção que esses sons tomam quando endereçados, a qualidade dessas células sonoras compartilhadas, dialogadas. O, U, A, E. Cantar acalantos ao proprio umbigo quando o corpo vira. Eu canto acalantos para mim e procedo minha cura, no minimo meu consolo, é o que espero que os meninos percebam. Eu vou aprendendo a garantir-me segurança, a expressar aquilo que sou, a apropriar-me do que conquistei porque me arrisquei,  porque desafiei meu orgulho, meu egoismo e minha fé cega, passando a ouvir meus próprios pensamentos e escolhendo confiar neles.

No dia que antecede o dia da voz, agradeço ao Phil, ao 2LMT dos cantores, às conversas que um dia, em futuro breve, resultarão artigos, quiçá livros. Obrigada mais uma vez, por poder partilhar pinceladas de minha história de vida, por partilhar Ze Mauro de Vasconcelos.

Obrigada a minha tia Lucia, que nos fez cantar Maringa naquela classe de crianças da quarta série do ensino fundamental. Nós sentávamos ao redor dela, ela cantava e tocava para nós e nós guardávamos aquela riqueza de nossa cultura para sempre. A Cilene Polletto, que tocou meu coração com histórias e amor e me permitiu cantar em público, lá no Grupo Escolar Souza Naves, Rolândia - Pr, ao aluno dela que nos contou a história da Festa no céu, à Diretora, que nos visitou uma manhã e cantou A árvore da montanha, e nos conto a Lenda da Gralha Azul. Ao Inami Custódio Pinto, que me apresentou a FAP.

Foi isso que aconteceu hoje, Marcelo, e eu nem usei Guardanapos de papel ainda...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

ensaios

baú patrimônio  imemorial oxidação teus passos meus passos abstinência arco e chifre olhos plácidos camisa alva e p...