quinta-feira, 22 de março de 2012

Mais uma orientação dada com amor, e que pode ajudar outras pessoas


Acompanhar um aluno em um processo:

Querido, esse é o tema que desenvolvo com os alunos do 3LMT em 2012. Hoje estive com eles. Ouvir, ouvir o que cada aluno solicita, esse é o grande processo a desenvolver. Não significa sentar e esperar que ele lhe diga como quer ser orientado (e acaba sendo esse o desenho de seu discurso, o aluno enumera os pontos em que necessita nossa colaboração, desde lhes maternar, pegar na mão a assinar, dizendo que estão se saindo bem, a ponto de “poder ir tocar e cantar num PUB em Londres, por exemplo).
Olha o que você diz: São outras mentes e tem também outros interesses na música. Além de tudo, as aptidões e objetivos de cada um com a música são diferentes.

As muitas aulas: exigem sim que você se engaje a uma combinação de métodos- vou chutar, em função de ter vivido muitos anos com violonista - Tarrega, Henrique Pinto, Segovia , Carcassi, Pujol, Carlevaro (olha quantos espanhóis...) – há melodias belíssimas nesses métodos, com há no Vaccaj, no Panofka, no Concone, no Lutgen para canto...

Não temos métodos brasileiros para canto no Brasil. Conheço somente o da Cacilda Barbosa. Quem escreveu alguma coisa para música popular foi Marcos Leite, Tutti Bae e mais alguns de menor impacto. No violão deve haver muito mais possibilidades, e acredito que até os métodos de cavaquinho, viola caipira e guitarra poderiam socorrer sobre formas de conduzir cadências melódicas, rítmicas e harmônicas. Ian Gest pode ajudar na Harmonia, bem como Vicente Ribeiro. Todos eles combinados, pinçadas as suas partes mais comoventes. Até o Mario Mascarenhas pode entrar, no mínimo pra dizer como não fazer. Almir Chediak notou quantos compositores brasileiros? Bora futucar... ah, as aulas de Internet são outros materiais para ver pelo menos o que não fazer...

Essa possibilidade de INSPIRAR um aluno tem que permanecer. É o seu discurso, é seu toque pessoal.

Não se preocupe, formatação vai depender do nível de evolução da pessoa: uma pessoa começa copiando. Pegamos sua mão. Dali a pouco deixamos que ela faça escolhas. Precisamos provocá-la a escolher novos modelos (ouvir vários violonistas e outros músicos ajuda muito. Tem o filme chamado O solista, que pode ser um grande orientador. O pianista é outro. Um violinista no telhado. Música do coração. O som do coração, A vida é um paraíso, A voz do coração, dentre tantos outros...)

(...) desde o começo, eu aprendi o que eu sei de música porque me interessava em criar coisas e experimentar de uma maneira totalmente não usual. Nunca esperei por livros, teorias e exercícios pra tentar tirar uma música, aprender. Minha maneira foi muito orgânica. A teoria musical e essa parte "burocrática", hoje eu sei só porque desenvolvi tão bem minha intuição e minha percepção que ela acabou se tornando simples. Essa vivência você partilha com os meninos, conta a sua história, fala a eles do que deu certo, do que deu errado...

Música é MESMO mais do que o método. Os estudos de Bach levam a gente a querer tocar o que? Qual método nos leva a querer conhecer as sonatas de Beethoven, de Schubert. O que será que nos inspira a tocar rock progressivo, chorinho ou ragas e sagas?

Pensar num repertório guia pode ser muito útil. As músicas de história de vida, por exemplo. Chega um cara e diz: quero tocar o solo tal do Hendrix. Bora lá, descobrir como o Hendrix chegou aquilo...

É capaz de essa gente chegar sem conhecer muita coisa. Primeiro passo: o que você conhece, quem você admira? Que música gostaria de começar a tocar? E então apresentar a contrapartida, a maneira de “você pode tocar isso, mas em troca faz aquilo e por isso sai de onde está”.

Formatar para você o que significa? Quando você definir isso bem para voce, não quererá isso para outra pessoa. Não formamos repetidores quando usamos um método. Sossegue. Tem a Sira a exigir determinada sonoridade. Tem eu a refletir sobre essa exigência. Leia, por exemplo Donald Schon, Maurice Tardif, sobre saberes reflexivos... Não sei quem era que copiava partituras, para entender o caminho para compor. Esse artista se BASEAVA num formato. Nós temos forma, menino, somos formatados pela educação que recebemos. Isso é postulado, isso é necessário. Já é um caos assim, imagine sem esse caminho moral...

Olha a solução que você encontra: (...) Só que, ao mesmo tempo, acho que isso é estupidez, pois um método pode me trazer muitas coisas excelentes, pode me dar uma estrutura, uma noção de ordem, vai criar "musculatura" pra eu poder - talvez - quebrar o método depois, sair da casca.

Não faz muito tempo, vários autores se re-posicionaram relação ao conceito de CRIAR. Eu leria ainda uma vez mais A coragem de criar, de Rollo May.

Ah, não damos alma a nossos meninos. Eles é que a tem, a tal estrela. Você tem a sua. Deixe-a acesa. Diminua seu brilho se pressentir inveja no ar... retire-se quando for necessário. Respire. Medite. Foque na solução. Você sabe fazer isso.

Um método, pelo menos, precisa ser o seu tapete, o seu chão. O Caesari é o meu. Por ali eu crio muitos caminhos melódicos. Eu curti muito um trabalho da Ermelinda Paz, 500 canções do folclore brasileiro. Nessa linha entram Orff, Kodaly, Martenot, Willems, Dalcroze, Murray Schafer, John Paynter...

E por último tem o nosso coração e as nossas canções pessoais, um último refúgio, que na maioria das vezes partilhamos com nossos meninos, dilapidando até idéias de trabalhos que pensávamos guardar a sete chaves, quando tivéssemos fundos para o nosso primeiro CD.

Moço, te desejo luz. Vá lá e faça o primeiro contato. Converse. Na seqüência, voce pode contar com essa pessoa aqui para trocar experiências contigo. Ah, Antonio Novoa incentiva demais o relato de experiências.

Estamos, eu + o 3º ano, no início das buscas. É uma tarefa dificílima. Desistir dos planos de aula, dos planos de ensino e ir vendo no que vai dar a situação a cada semana é a grande tentação. Também estou carente desse método. Preciso focar na solução. É minha tarefa atualmente.

Muito amor e paz para você.

Conte comigo sempre.

Abraço carinhoso.

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