quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Depoimento

Agora, ha pouco, peguei-me no canto e me passei um corretivo...
estou me recusando a cumprir minhas obrigacoes comigo...
as basicas: comer direito, as porcoes corretas, as cores combinadas, nas horas combinadas...
tenho me negado a respirar... e entao fiz uma quase bronquite, de tosse seca e dolorida...
e entao fiz dificuldades de digestao...
um peito eternamente contrito e retesado...
ainda deixo a agua escorrer sobre a pele de olhos fechados...
porque nao valorizo meu corpo, tenho vergonha, odio, nao sei...
tenho me negado a tomar agua... e o unico alimento de que o cerebro precisa...
as dores de cabeca afligem... a pressao fica absurda... de chamar medico...
que mais eu posso dizer... fico deitado, num canto da cama, na sala, que a do quarto ja esqueci... fico la, deitado, as vezes esquecido, as vezes letargico, as vezes morto...
peco aos guias que nao permitam que eu me va, em sono, a inferninhos e locais do genero, em companhia de espiritos desgarrados que eu possa atrair nesse estado deprimido em que me encontro...
Se nao desejo trabalhar aqui, na Crosta, o que pretendo fazer nas outras paragens do Universo...
dificil porque estou num tempo da vida em que nao ha mais colo, nem mae, nem pai, nem irmao pra pedir abrigo, arrimo, consolo... o consolo esta em outras solucoes, o consolo esta em meu corpo, dentro do meu corpo vivo... e eu estou em condicoes de dar-me apoio, colo...
Ainda tenho no cantar o meu maior consolo... hoje toquei e murmurei, o espaco de uma aula cujo aluno faltou... e e um forte exercicio, de paz, de esperanca, de manuseio da beleza... entao, por que abrir mao disso e voltar para o canto da cama, que nem uso a cama em toda sua dimensao, me encolho como feto abandonado...
Eu exponho essas coisas, fraquezas, choros nesse espaco, porque aposto, dos vinte e poucos leitores que acessam esta paragem, uns doze sabem do que estou a falar... e uma recusa a crescer misturada a uma enorme solidao, e uma briga ingenua em permanecer assim...
Nao da para apoiar-se em faltas: de pai, de mae, de familia estruturada... ja foi esse tempo...
Agora e assumir a vida do jeito que ela e, dura as vezes, muito solitaria as vezes, mas tem as belezas, as que eu posso ver, e cheirar, e sorver e ouvir... Satie e meu companheiro atual de ouvir... e o unico compositor que me devolve a alegria de ser artista, musicista, professor de musica, de canto...
Eu sei olhar profissionalmente a alma das pessoas... eu estudei um pouco essa possibilidade... sei fazer casulos, maternar, acompanhar em momentos de dor... podia seguir esse rumo se quisesse... se estivesse farta dos alunos que faltam...
E sei manusear as palavras, e eu gosto tanto de fazer isso... e eu sei ler e e maravilhoso entregar-se a um livro... e conhecer as facanhas desses maravilhosos homens e mulheres e suas paginas apaixonantes de ficcao e historias de vida... nao consegui ler uma linha, de nada, por esses dias...
Fico esperando, online, alguem entrar online... fico esperando aquele que olha o passaro, querendo saber...
Este e mais um depoimento que nao sera fechado... escrevo porque entendo que tambem este e um exercicio de permitir-se levantar da cama, levantar a cabeca e seguir, para ver, para tocar a vida, com o corpo vivo.
Abencoada entao seja esta noite de sono que terei. Que os guias possam me levar a lares de criancas, a lares de senhoras, de senhores, de gente que passou em vida pelo que eu estou passando... que eu possa ser util, tanto nesta base quanto em outras... desejo a dignidade de um envelhecer brando... e que os esforcos sejam lucidos, reais, para o bem desta unidade que sou eu... que eu saiba ser generosa comigo... creio que me devo isso...


Nenhum comentário:

Postar um comentário

novembro musical

Sem alarde O memorial dos olhos quentes da mãe Nenhuma culpa História Os encontros soprosos. Dava gosto! Como tecer um p...