terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Agora começam os trabalhos de resgate

Agora começam os trabalhos de resgate. Explico:
alguns colegas da FAP se juntaram em 1996 e toparam o desafio de organizar uma revista radiofônica. Íamos ao ar pela Educativa FM, 97.1, Curitiba, Paraná, Brasil. Íamos ganhar niente pelo trabalho. Eu aproveitaria para me esbaldar num desejo antigo de fazer programa de rádio [queria ser âncora de jornal na Voz do Brasil, falar nas madrugadas da Rádio Nacional de Brasília, apresentar programa de música brasileira na Rádio Bandeirantes de São Paulo, falar em rádio amador, em ondas curtas, AM, qualquer veículo radiofônico em que eu pudesse criar dizendo, passar mensagens de resistência, trocar músicas e cartas, trocar mesmo, atendendo aos pedidos de ouvintes anônimos]. Pertinência didática do projeto - TODAS. Oito sujeitos então separaram materiais em suas casas, adquiriram CDS novos, livros, revistas [na época o processo era manual, moçada, pelo menos pra mim, nada de computador, Internet eu ignorava] e se dedicaram até 27 de julho do ano cabalístico de 2000 a montar programentes. Por dois anos tínhamos uma hora semanal no ar, das 22 as 23h, quintas-feiras, chic pra burro. Depois perdemos alguns braços de ação e preenchíamos então trinta minutos, sábados das 16 as 16e30, horário bacana também. Desde o primeiro dia, expunhamos aquilo que amávamos, nossas canções secretas de desnudar as madrugadas, nossos dogmas, simpatias, dramas pessoais, descalabros, desagravos, visões de arquivo, visões de museu, relíquias de ourives, mensagens cifradas que só a nós calavam e que cabiam no perfil magistralmente dirigido pelo "cara", o José de Mello. Ás vezes ele nos puxava de canto e dizia menos, e dizia não. Aprendemos a levar o programa ao ar. Joacy Santos nos acompanhou com sua doçura e paciência a todas as viagens lisérgicas que criávamos. Eram coisas simples, despretenciosas, seguindo modelos que  tocavam a mim, como a voz de Valéria Grillo, o som de Jack Shadow, o formato de programas delicados e irados que já havíamos ouvido em alguma outra rádio. Aprendemos a fazer vinheta, a fazer spot; a encontrar a voz. Não havia patrocínio, e quando isso se fez necessário, pros produtores apresentadores investidores que éramos nós ficou pesado seguir. Pelo menos eu não sabia o que fazer na época. E ainda havia outros agravantes dos quais não vale a pena falar. Ainda não havia Lei de Incentivo à Cultura. Éramos náufragos no ar. Estou colando tudo em primeira pessoa do plural nesta descrição, mas hoje falo sozinha, de mim como guardiã dos cento e trinta e cinco programas/jóias que vim embrulhando em papel bolha, tentando proteger os K7 da umidade e do pó. Há alguns meses pedi socorro e resgatei todo o material com o Chris Yunes, que o restaurou/masterizou. Mais de 80Gigas de trabalho e amor. Particularmente a mim ouvir os novos CDS é testar desapegos, traumas, dogmas e edifícios dos quais só restou cinza e cavacos de telhado. Estou há algum tempo sentindo urgência de mostrar a meus alunos pelo menos a parte que me coube no latifúndio, que é o programete O BRASIL TEM CONCERTO. E to com a idéia de provocá-los, aos alunos, a amar o rádio, como eu amo, apaixonadamente. Bom, vou arregaçar as mangas, e começar a tarefa de ouvir um por um aos programas. Na medida em que for vencendo as etapas, ouvir, criar os sumários, vou transformando os objetos em outras possibilidades, aulas, seminários, palestras, tantas idéias. E vou compartilhando. Meu sonho atual é fazer este Blog soar. Ser voz que fala. Quem sabe ainda trocamos alguma coisa, hein voce?

Um comentário:

  1. Pô, demais, não escutei o programa mas agora estou curioso para ouviu. Tomara que o sonho se realize e se propague no ar em ondas do mar, sonoras, curtas e muuiiiiitoooo longas. Adoro seus textos!

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