o beijo roubado


não faz muito tempo
como um cesto de pão dormido
capim gordura verdejando no pasto
um gesto intencional de desabrigo
desavergonhado, exasperado
impudico.
Foi tomar e morrer.
O onibus partiu bêbado
e o roubo a meio.
Melhor seria um front técnico
mas ficou o intento rubro
impresso na pele
na adaga preta da libido
um gosto de ontem na boca.
Eu queria ser
Cassiano Ricardo
a esfera
em torno de si.
Um arranhão,
Baal enamorando-se de Ekart,
um farelo na toalha
o gato sobre a mesa
um faro.
É inverno.
É insólito.

para Mauro

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